18.09.2011 18:48

Milhares de manifestantes no Rio de Janeiro contra a intolerância religiosa 

 
 

Milhares de pessoas juntaram-se hoje  no Rio de Janeiro contra a intolerância religiosa, numa iniciativa da comunidade  de religiões afro-brasileiras, que denunciam perseguições da comunidade  evangélica. 

Cerca de 200 mil manifestantes eram esperados na praia de Copacabana,  onde líderes religiosos afro-brasileiros, católicos, muçulmanos, judeus,  espíritas, protestantes, budistas e baha'i se juntaram, envergando trajes  tradicionais das respetivas confissões. 

"Desde há 25 anos que acenam com a Bíblia sobre as nossas cabeças.  Nas escolas, as nossas crianças são tratadas como adeptos do diabo", disse  Ivanir Santos, um dos organizadores da Marcha pela Liberdade Religiosa,  citado pela agência France Presse. 

"A religião é motivo de guerras no mundo, mas aqui juntamos as religiões  para dialogar, porque a intolerância religiosa gera racismo e ameaça a democracia",  acrescentou. 

No Brasil, onde quase metade dos cerca de 190 milhões de habitantes  são negros ou mestiços, as igrejas evangélicas proliferam nos meios pobres  e "diabolizam os cultos de origem africana para recrutar fiéis", segundo  o antropólogo José Flávio Pessoa de Barros, da Universidade Federal do Rio  de Janeiro. 

A primeira marcha deste tipo foi realizada em 2008 por seguidores do  Camdomblé e do Umbanda, mas desde então foi sendo alargada a outros cultos.

Este ano, cerca de 500 seguidores Baha'i, perseguidos no Irão, juntaram-se  à marcha, segundo Roberto Iradj, representante desta comunidade no Brasil.