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Polícia de Hong Kong usa gás pimenta para dispersar manifestantes

A polícia de Hong Kong usou gás pimenta  para dispersar manifestantes que protestavam hoje contra o presidente chinês,  Hu Jintao, na véspera do 15. aniversário da transferência do exercício  de soberania, sob um forte aparato policial. 

© Siu Chiu / Reuters

No segundo dia da sua visita à antiga colónia britânica,possivelmente  a sua última na qualidadede Chefe de Estado, centenas de pessoas exigiram  nas ruas uma investigação à morte dodissidente chinês Li Wangyang, num protesto que ocorreu perto do hotel onde Hu Jintao está instalado. 

A polícia terá recorrido ao gáspimenta quando os manifestantes, que envergavam um cartaz gigante com o carater chinês que significa'injustiça'  e gritavam 'slogans' antiPequim, tentaram galgar as barreiras colocadas no local.  Alguns jornalistas, incluindo três da agência noticiosa francesa AFP,  também foram atingidos pelo gás pimenta lançado pelas autoridadesque montaram  um cordão de segurançapouco comum junto ao hotel de cinco estrelas, onde  está Hu Jintao, e ao centro de convenções,onde vão ter lugar no domingo  asprincipais cerimónias oficiais, incluindo a de tomada de posse do novo  Chefe do Executivo. 

Segundo a Rádio e Televisão Pública de Hong Kong (RTHK), o grupoque  protagonizou o protesto era compostopor cerca de 200 pessoas. O ativista Li Wangyang, de 62 anos, foi encontrado morto no iníciodeste  mês, em circunstâncias suspeitas edois dias depois do 23. aniversário  darepressão do exército chinês na Praça de Tiananmen sobre os protestos  do movimento estudantil pró-democracia de 04de junho de 1989, nos quais  esteveenvolvido. 

O caso de Li, cujo corpo foi cremado sem consentimento familiar,gerou  uma onda de revolta em Hong Konglevando milhares de pessoas às ruas. 

As barreiras de metal - com mais de dois metros - devem impedir HuJintao  de "andar mais" e de"ver mais" a cidade, vontade que exprimiu quando chegou  à antiga colónia britânica. Estas barreiras foram montadas para manter eventuais manifestantesnuma  "zona de protesto", longeda delegação liderada pelo presidente que assim não deverá ver nem ouvir os protestos. 

O direito de manifestação é uma das liberdades gozadas em Hong Kong  ao abrigo do princípio "um País, doissistemas" aplicado desde o regresso de Hong Kong à "mãe-pátria". A polícia garantiu que iria respeitar esse direito durante a visita  do líder, depois de ter sido alvo de críticaspela sua atuação com "mão pesada" aquando da deslocação do vice-primeiro-ministro Li Keqiangno ano  passado, que motivou a aberturade um inquérito. 

O diretor do Observatório de Direitos Humanos de Hong Kong, LawYuk.kai,  já veio criticar as medidas desegurança, as quais disse constituírem uma tentativa de proteger o líder chinês de "protestosembaraçosos" e que a  cidade estava"cercada". 

 

     

Lusa