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Primeiro-ministro russo defende libertação de elementos do grupo punk "Pussy Riot" 

O primeiro-ministro russo, Dmitri Medvedev,  considerou hoje que as jovens do grupo punk "Pussy Riot" já foram suficientemente  castigadas e a continuação na prisão é contraproducente.

(Reuters)

(Reuters)

© Sergei Karpukhin / Reuters

"Parece-me que, neste caso, é contraproducente continuar a mantê-las  na prisão. Seria suficiente uma pena suspensa tendo em conta o tempo que  elas já passaram na prisão", declarou num encontro com militantes do Partido  Rússia Unida. 

Nos finais de fevereiro, cinco jovens mascaradas entraram no Templo  de Cristo Redentor, o principal templo cristão ortodoxo de Moscovo, e realizaram  uma oração a Nossa Senhora para "livrar a Rússia de Putin". Três delas foram  detidas e condenadas a dois anos de prisão. 

"Do ponto de vista emocional, eu ainda não falei disso. Sinceramente  falando, e peço-vos desculpa pela expressão pouco parlamentar, provoca-me  vómitos o que elas fizeram, o seu aspeto externo, a histeria que acompanhou  tudo o que aconteceu", acrescentou o primeiro-ministro russo. 

"A pena que já cumpriram, a longa passagem pela prisão são bem suficientes  para que elas tenham repensado no que aconteceu na sua vida devido à sua  tontice ou a outras razões", concluiu. 

Contactado pela Lusa, Nikolai Polozov, um dos advogados de defesa das  jovens, saudou as declarações de Medvedev, mas receia que tenham um efeito  contrário ao desejado. 

"As palavras de Medvedev sobre a libertação das jovens são positivas,  pois permitiriam cumprir o nosso programa mínimo. Nós sempre dissemos que  a permanência das jovens na prisão é ilegal e prejudicial para a imagem  da Rússia", declarou por telefone. 

 "Mas receamos que elas tenham um efeito contrário. O primeiro-ministro  declarou que a pena de prisão de dez anos para a ativista da oposição Taísa  Ossipova foi demasiada. A acusação pediu a redução para quatro anos, mas  o tribunal decidiu condená-la a oito anos", acrescentou. 

Taísa Ossipova, ativista da oposição ao Kremlin, foi acusada de tráfico  de droga e, inicialmente, condenada a dez anos de prisão. Durante uma onda  de protestos contra essa sentença, que a oposição considerou tratar se de  uma "condenação política", Medvedev defendeu que a pena era demasiada e  pediu a revisão do caso. 

A acusação pública pediu quatro anos de prisão para a jovem que disse  ter sido condenada por motivos políticos, mas o tribunal decidiu condená-la  a oito anos, não obstante algumas das testemunhas terem declarado que foram  obrigadas a difamar pela polícia. 

"Estou muito cético quanto às consequências das declarações do primeiro-ministro",  concluiu o advogado. 

 

Lusa

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