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26.01.2012 18:59
Proprietários dos escritórios e das lojas dos prédios que desabaram no Rio de Janeiro preocupados em recuperar bens
Os proprietários de escritórios ou lojas nos prédios que desabaram no Rio de Janeiro estão preocupados em recuperar os seus pertences, para evitar um prejuízo ainda maior.
Os funcionários da Comlurbe, empresa de limpeza da cidade do Rio de Janeiro, estão a proceder à limpeza do local onde desabaram três prédios, na quarta-feira à noite, no centro do Rio de Janeiro, causando pelo menos três mortos, cujos corpos já foram resgatados dos escombros e encaminhados para o Instituto Médico Legal.
"Os funcionários da Comlurbe estão encontrando coisas que aparentemente são lixo mas são de valor, no meio dos escombros, como discos rígidos de computador e fios de cobre, e eu não sei para onde eles estão levando isso", disse à agência Lusa António Molinaro, dentista e proprietário de sete salas num dos edifícios que ruiu.
Para reconstruir o seu consultório, António Molinaro estima que teria de gastar 300 mil reais (120 mil euros). "Eu perdi tudo, mas agora ainda estão levando o pouco que resta", lamentou, reclamando a possibilidade de procurar as suas coisas nos escombros. Debaixo de um dos prédios havia uma agência bancária, onde possivelmente existiria um cofre, lembrou uma ex-funcionária desse banco, que estava no local.
As autoridades de defesa civil disseram à Lusa que os resíduos dos escombros estão a ser levados para lixeiras e não souberam informar se haverá a possibilidades de garimpar o que for encontrado nos escombros.
Por seu lado, a psicoterapeuta Denise Pucheu deslocou-se ao centro de informação para saber quando poderá voltar ao seu consultório, num prédio contíguo, que não ruiu, mas foi evacuado. Segundo uma primeira avaliação, o prédio não foi afetado pelo desabamento, mas tal terá de ser confirmado numa segunda análise, o que implica que o regresso das pessoas ao local só deva acontecer no fim de semana. "Estava com um grupo e ouvimos as coisas desmoronando. Saímos pelas escadas, mas estavam cheias de escombros. Foi bem dramático, mesmo para gente que não teve o prédio totalmente destruído", contou a psicoterapeuta.
Já o dono de um dos prédios que ruiu, que não se quis identificar, preferiu não falar em danos financeiros, antes de ser autorizado a passar a fita de isolamento e entrar no local do desabamento. "Não dá para falar de prejuízo quando há perdas humanas", afirmou. Muitas pessoas continuam a tentar obter informações sobre os 19 cidadãos desaparecidos, mas até agora não há dados novos. As autoridades de defesa civil, que anunciaram anteriormente cinco mortes, reviram os números e declararam que apenas três corpos já foram resgatados dos escombros.
Cinco das pessoas resgatadas anteriormente foram encaminhadas para hospitais da região e três permanecem internadas. Uma outra pessoa que ajudava nas buscas sofreu ferimentos ligeiros. Mais de cem bombeiros estão a trabalhar no local do desabamento desde a noite de quarta-feira.
O edifício Liberdade, de vinte andares, e o Colombo, de dez, desabaram na noite de quarta-feira, lançando escombros sobre os prédios vizinhos, acabando por causar a derrocada de um terceiro edifício, de quatro andares.
Os prédios, essencialmente de escritórios, localizavam-se perto do teatro municipal, na praça Cinelândia, num bairro histórico do Rio de Janeiro, muito frequentado durante o dia.
Lusa
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