23.02.2012 19:06

Governo português desvaloriza alteração na política de vistos de residência nos EUA

 
 

O Governo português desvaloriza a alteração  na política de vistos de residência dos Estados Unidos, que os portugueses  só poderão obter em Paris, sublinhando que "a prioridade" são os vistos  de turismo e que a medida "não é dirigida".

Em declarações à Lusa, o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas,  José Cesário, explicou que "a prioridade" na negociação com os Estados Unidos  tem sido a "manutenção de Portugal no Programa Visa Waiver", que corresponde  ao antigo visto de turismo) regula as estadas curtas, permitindo a circulação  de cidadãos entre Portugal e Estados Unidos sem visto e obriga apenas à  utilização de um passaporte eletrónico e preenchimento de um formulário.  Em 2010, este sistema foi utilizado por "156 mil pessoas", referiu.   

"Temos tido ameaças sucessivas, por causa da imigração ilegal, de podermos  sair do Programa Visa Waiver e, se isso acontecesse, seria extremamente  complicado para nós. Portanto, a nossa prioridade absoluta é essa, é mantermo-nos  lá  (no programa)", frisou. 

Em comunicado emitido na quarta-feira, a representação dos Estados Unidos  em Portugal anunciou que, a partir de março, a embaixada em Lisboa e o consulado  geral em Ponta Delgada (Açores) vão deixar de emitir vistos de imigração  para portugueses, passando o processo a ser assegurado pela representação  norte-americana em Paris (França) - deslocação que terá de ser custeada  pelo próprio candidato. 

O Governo português "regista" a decisão dos Estados Unidos, e o "contexto  delicado" em que é adotada, destacando, porém, que a alteração se insere  "numa reforma global da política consular norte-americana". 

"Não é nada dirigido a Portugal. (...)  (Os EUA) estão a fazer isto em  todo o mundo", frisou José Cesário, adiantando que resulta de uma dupla  intenção de se reduzir despesas e concentrar serviços para "aumentar as  condições de segurança na apreciação dos candidatos" -- o que Portugal também  fez ao passar "a emitir os cartões de cidadão e os passaportes eletrónicos  todos em Lisboa", recordou o secretário de Estado. 

A decisão não surpreendeu o executivo português, porque os Estados Unidos  "são muito restritivos relativamente à imigração há muitos anos".  

Reconhecendo que o Governo português foi "confrontado" com a alteração,  o secretário de Estado sublinhou que a única mudança ocorre nos vistos de  residência -- aos quais, em 2010, "apenas 160 pessoas" recorreram. "Muito  pouca gente emigra legalmente" para os Estados Unidos, até porque, para  serem aceites, "têm de ser muito qualificados", apontou. 

"No essencial,  (a medida) preserva" os "objetivos centrais" de Portugal,  que são a "manutenção no Visa Waiver" e a emissão de vistos de curta duração  para estudantes e pessoas que se deslocam em negócios -- e para estes últimos  (4000 emitidos em 2010), as condições mantêm-se. 

Mesmo admitindo que possa haver "um ligeiro aumento da procura" na emigração  para os Estados Unidos, o Governo português acredita que "não há muitas  situações que possam vir a ser atingidas de uma forma séria" pela alteração  na política de vistos. "Há algum prejuízo, mas muito limitado no número",  acredita. 

Sobre as críticas que o conselheiro das Comunidades Portuguesas em Newark  fez hoje aos diplomatas portugueses, que culpa pela alteração na política  de vistos norte-americana, o secretário de

"Eles brincam connosco", criticou José João Morais, conselheiro das  Comunidades Portuguesas em Newark, referindo-se aos diplomatas, que "não  prestam para nada". 

Lusa

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