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Polícia moçambicana impede marcha de estudantes na Beira contra assassínio de Cistac

A Polícia antimotim de Moçambique impediu hoje uma marcha de estudantes de Direito de duas universidades privadas na Beira, segunda maior cidade do país, que protestavam contra o assassínio do constitucionalista Gilles Cistac. 

© Grant Neuenburg / Reuters

Pedro Sousa, diretor da Faculdade de Direito da Universidade Alberto Chipande, disse à Lusa que a Força de Intervenção Rápida (FIR) e o Grupo Operativo Especial (GOE) impediram a marcha, com o argumento de que não estavam garantidas as condições de segurança, e que alguns estudantes foram atingidos com coronhadas como forma de intimidação. 

"A Polícia impediu a concentração e o arranque da marcha legal dos estudantes de Direito que estava agendada para hoje na cidade da Beira, alegadamente porque a cidade ainda está agitada com o baleamento de um empresário", precisou Pedro Sousa, referindo-se a um roubo violento ocorrido na cidade na quarta-feira. 

A marcha, disse Pedro Sousa, tinha o aval do Conselho Municipal e das reitorias das Universidades. 

Apesar disso, prosseguiu, a polícia travou a marcha e só a intervenção de Gilberto Correia, antigo bastonário da Ordem dos Advogados de Moçambique, impediu que alguns estudantes fossem detidos. 

Vestidos com t-shirts brancas e empunhando cartazes com mensagens de homenagem a Gilles Cistac, os alunos das faculdades de Direito das Universidades Católica de Moçambique e Alberto Chipande, ambas na Beira, não conseguiram iniciar a marcha, uma vez que a polícia barrou a estrada com blindados e posicionou-se em pontos estratégicos do percurso. 

Ainda segundo o diretor da Faculdade de Direito, a marcha foi remarcada para sábado, para acompanhar o movimento nacional, que tem outras manifestações similares previstas para Maputo e Nampula.

"Não nos sentimos intimidados por pensar diferente daqueles que nos querem a pensar igual", "não podemos calar o assassinato do nosso herói" e "liberdade de expressão para todos", eram algumas das mensagens ostentadas pelos estudantes.

O constitucionalista moçambicano de origem francesa Gilles Cistac foi morto a tiro na terça-feira de manhã por desconhecidos à saída de um café no centro de Maputo.

O constitucionalista, conhecido por defender argumentos jurídicos desfavoráveis à Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique, no poder há 40 anos) foi transportado ainda com vida para o Hospital Central de Maputo, onde acabou por morrer por volta das 13:00, menos duas horas de Lisboa.

A Lusa tentou em vão contactar a Polícia da Beira.


Lusa
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