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Dois suspeitos de violação linchados no norte da Índia

As autoridades de Dimapur, no estado indiano de Nagaland, decretaram hoje o recolher obrigatório, um dia depois de um suspeito de violação ter sido linchado e de um segundo homem ter morrido em confrontos com a polícia.  

© David Gray / Reuters

Na quinta-feira, o homem acusado de ter violado uma mulher repetidas vezes foi retirado de uma prisão em Dimapur, nordeste da Índia, espancado até à morte e pendurado, de acordo com a imprensa local.  

"Um homem de 25 anos, que devia fazer parte da multidão em cólera, foi alvejado pela polícia e morreu no hospital devido aos ferimentos", disse o chefe da polícia de Dimapur, Meran Jamir. 

A situação na localidade é de "grande tensão", acrescentou. Centenas de agentes antimotim patrulham as ruas de Dimapur.  

"O recolher obrigatório estará em vigor até que a situação melhore. Faremos tudo o que estiver no nosso poder para evitar uma escalada", declarou à agência noticiosa francesa AFP por telefone o chefe do governo do estado de Nagaland, T.R. Zeliang. 

O suspeito linchado era um emigrante do Bangladesh e as lojas de emigrantes do Bangladesh na zona são alvos de ataques desde quinta-feira, informou a polícia.  

Um outro linchamento ocorreu hoje em Varanasi (norte), depois de um grupo de raparigas ter acusado um homem de as molestar, durante as celebrações do festival hindu de Holi, disse a polícia indiana, que está a investigar os dois casos.  

As violações de mulheres na Índia dominam a atenção pública, local e internacional, desde o brutal assassínio no final de 2012 de uma estudante de 23 anos em Nova Deli, vítima de violação coletiva. 

Um tribunal indiano proibiu na quarta-feira a transmissão do documentário britânico "A Filha da Índia", no qual um dos condenados à morte pelo crime responsabiliza a estudante de medicina pela violação.   

Mukesh Singh afirmou que "uma mulher decente não anda na rua às 09 da noite" e que uma rapariga "é muito mais responsável" por uma violação do que um homem.  

A vítima, Jyoti Singh, não devia ter tentado defender-se. "Devia ter-se mantido em silêncio e permitido a violação. Assim, teria sido depois deixada e apenas teriam batido no rapaz", acrescentou.

O ministério de Informação e Transmissões indiano emitiu também uma ordem aos canais de televisão do país para que não passem o filme. 

Na noite de 16 de dezembro de 2012, uma estudante acompanhada por um jovem foi violada e torturada por seis homens num autocarro em movimento em Nova Deli, tendo morrido 13 dias mais tarde num hospital em Singapura.

"A filha da Índia", realizado pela britânica Leslee Udwin, será emitido a 08 de março, Dia Internacional da Mulher, pela cadeia britânica BBC e tinha transmissão na Índia prevista pelo canal NDTV.


Lusa
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