sicnot

Perfil

Mundo

Piloto ucraniana detida na Rússia põe fim a greve de fome

A piloto militar ucraniana Nadia Savtchenko, em greve de fome há 84 dias para protestar contra a sua detenção na Rússia, decidiu pôr fim à sua ação, disse hoje o seu advogado Mark Feïguin.

© MAXIM ZMEYEV / Reuters

Nadia Savtchenko, de 33 anos, "tomou esta decisão porque já estava no limite das suas forças, com fortes quebras de tensão, convulsões, prestes a desaparecer", indicou Feïguin, em declarações à agência de notícias francesa, AFP.

"O seu estado de saúde não lhe permite comer normalmente" e, por isso, numa primeira fase, vai alimentar-se de "sumos de fruta e papas", precisou.

"Estou radiante por Nadia ter seguido o meu conselho de cessar a sua greve de fome, de não dar aos seus inimigos o prazer de morrer", escreveu Feïguin na sua página da rede social Twitter.

Savtchenko, que iniciou a greve de fome em dezembro, teve de escolher entre ser submetida a uma "alimentação forçada" no hospital, agendada para os próximos dias a pedido dos médicos, e pôr fim à sua ação de protesto, indicou, por sua vez, outro advogado da piloto, Nikolaï Polozov.

A jovem mulher, cujo peso passou dos habituais 75 quilos para 54, segundo os seus advogados, tinha já anunciado na quinta-feira que aceitara comer uma canja de galinha, mas o seu organismo rejeitou-a, por ser "demasiado gorda para o seu estado", e Nadia pediu hoje ao serviço penal para elaborar para ela "uma dieta com puré de frutos e legumes e sumos diluídos em água", precisou Polozov.

Federica Mogherini, chefe da diplomacia da União Europeia (UE), manifestou-se na quarta-feira preocupada com o estado de saúde da prisioneira, considerando que ela poderia "ver a sua saúde deteriorar-se de forma irreversível, ou morrer", se não fosse libertada "com urgência".

Por sua vez, o Presidente ucraniano, Petro Poroshenko, declarou na quarta-feira ter pedido ao seu homólogo russo, Vladimir Putin, para libertar "imediatamente" a piloto, nomeadamente "por razões médicas".

A resposta de Putin "foi enviada" ao Presidente ucraniano, disse hoje o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, não adiantando mais pormenores.

Detida no início de julho de 2014 em território russo, segundo Moscovo -- ao passo que os ucranianos afirmam que ela foi capturada e entregue a Moscovo pelos separatistas -, Nadia Savtchenko é acusada do "homicídio premeditado" de dois jornalistas russos no leste da Ucrânia, em meados de junho.

A justiça russa afirma que a piloto comunicou ao exército ucraniano a posição dos dois jornalistas, mortos por um morteiro. Segundo os investigadores, "o seu crime é passível de pena de morte ou prisão perpétua".

A sua captura valeu a Savtchenko uma enorme popularidade na Ucrânia, onde foi simbolicamente eleita deputada nas eleições legislativas de outubro.



Lusa
  • "Não podemos fazer de Lisboa uma cidade para turistas"
    2:44

    Opinião

    Miguel Sousa Tavares analisou esta segunda-feira, no Jornal da Noite da SIC, o mandato de Fernando Medina na Câmara de Lisboa. O comentador da SIC defendeu que o autarca tem "muitos problemas por resolver" e que a Câmara tem investido "mais na recuperação de zonas em que os lisboetas praticamente não conseguem ir". Sousa Tavares disse ainda que Lisboa não pode ser uma cidade para turistas.

    Miguel Sousa Tavares

  • "Putin é uma ameaça maior do que o Daesh"
    0:24

    Mundo

    O senador norte-americano John McCain atacou Vladimir Putin dizendo que é uma ameaça maior do que o Daesh. O antigo candidato à Casa Branca acusa a Rússia de querer destruir a democracia ao tentar manipular o resultado das presidenciais dos Estados Unidos.

  • Morreu Yoshe Oka, a "hibakusha" que avisou o Japão sobre o ataque a Hiroshima

    Mundo

    Yoshe Oka, a primeira sobrevivente de Hiroshima que informou por telefone as autoridades japonesas sobre a destruição da cidade, em 1945, morreu com 86 anos, vítima de cancro, revelou hoje a família. A "hibakusha", nome pelo qual são conhecidos os sobreviventes dos ataques a Hiroshima e Nagasaki, sofria de doenças relacionadas com os efeitos do bombardeamento. Apesar das consequências do ataque, Oka difundiu, ao longo da vida, a experiência sobre o bombardeamento tendo participado em inúmeros atos pacifistas.

  • "É muito importante ceder à tentação de se abolir a liberdade"
    1:06