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Varoufakis diz que geografia da sala o impediu de cumprimentar Maria Luís Albuquerque

O ministro das Finanças da Grécia, Yanis Varoufakis, disse hoje que na reunião do Eurogrupo não cumprimentou a ministra portuguesa apenas por motivos geográficos, uma vez que ficou sentado do outro lado da sala.

(Reuters/ Arquivo)

(Reuters/ Arquivo)

© Alkis Konstantinidis / Reuter

Em conferência de imprensa, após a reunião de hoje do grupo que junta os 19 ministros das Finanças da zona euro, Varoufakis disse que falou com muitos ministros, incluindo o espanhol, porque ficaram sentados junto ao seu lugar, ao contrário de Maria Luís Albuquerque, que estava sentada no outro lado da sala em que decorreu o encontro.

 "É só uma explicação geográfica" que impediu o cumprimento, garantiu Varoufakis, que não se quis prolongar sobre a polémica que nasceu depois de o primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, ter acusado Lisboa e Madrid de terem tentado minar o acordo alcançado entre os parceiros europeus e a Grécia a 20 de fevereiro.

 Também a ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, afirmou hoje que o que aconteceu foi que "não se proporcionou" falar com o seu homólogo grego, acrescentando que "não há nada para esclarecer" entre os dois.

 Depois de um intenso mês de fevereiro, durante o qual o Eurogrupo teve de se reunir por diversas ocasiões devido às negociações em torno do prolongamento da assistência financeira à Grécia, foi finalmente alcançado um compromisso no dia 20 para prorrogar o atual programa de resgate por quatro meses, com Atenas a comprometer-se a apresentar medidas perante os parceiros da zona euro com vista ao desembolso da última tranche do empréstimo assim como a 1900 milhões de euros referentes aos lucros que os bancos centrais fizeram com dívida grega.

 Após esse acordo, numa reunião do comité central do seu partido, Syriza, o primeiro-ministro da Grécia afirmou que no Eurogrupo a Grécia se deparou "com um eixo de poderes liderado pelos governos de Espanha e de Portugal que, por motivos políticos óbvios, tentou levar a Grécia para o abismo durante todas as negociações".

 Estas declarações levaram mesmo Portugal e Espanha a fazerem um protesto junto das instituições europeias contra o Governo grego, pelo que na reunião de hoje era aguardada com expectativa o reencontro entre os ministros.

 A reunião do Eurogrupo decidiu hoje que as negociações técnicas entre a Grécia e os credores vão arrancar esta quarta-feira em Bruxelas, havendo ainda equipas técnicas a trabalhar em Atenas.

 O presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, que considerou que nas últimas duas semanas pouco foi adiantado pelo que é necessário acelerar o processo, disse em conferência de imprensa que será preciso um acordo e a execução de medidas para a libertação de mais dinheiro.

 Atenas debate-se com problemas de tesouraria para fazer face às obrigações financeiras, com uma fonte europeia citada pela agência de informação financeira Bloomberg a dizer que o dinheiro em caixa pode ser suficiente para apenas três semanas.

 Questionado várias vezes sobre isso na conferência de imprensa, Varoufakis não adiantou o valor que os cofres públicos têm para fazer face às obrigações financeiras do Estado, dizendo apenas que, no âmbito do acordo de fevereiro, "a posição de liquidez será garantida pelo Governo grego em conjunto com as instituições".

 Atenas deixou de se referir à 'troika' (palavra usada para nomear Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional), adotando em vez disso o termo ?instituições'.

 

 

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