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Centenas de pessoas pedem justiça na despedida de Gilles Cistac em Maputo

Centenas de pessoas, maioritariamente da comunidade académica de Maputo, despediram-se hoje do constitucionalista moçambicano de origem francesa, Gilles Cistac, assassinado há uma semana, com várias intervenções clamando pela responsabilização criminal dos autores do homicídio. 

Centenas de pessoas, maioritariamente da comunidade académica de Maputo, despediram-se hoje do constitucionalista moçambicano, Gilles Cistac, assassinado há uma semana.

Centenas de pessoas, maioritariamente da comunidade académica de Maputo, despediram-se hoje do constitucionalista moçambicano, Gilles Cistac, assassinado há uma semana.

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Durante o velório, realizado no Centro Cultural da Universidade Eduardo Mondlane, familiares, incluindo os pais que vieram de propósito de França para a cerimónia, magistrados, docentes universitários, advogados e estudantes foram prestar a sua última homenagem ao "Professor", como era afetuosamente tratado o académico.

A cerimónia, para a qual alguns presentes trajaram 't-shirts' com a inscrição "Je suis Cistac" ou "Cistac vive" sobre a foto do constitucionalista, também estiveram presentes destacados representantes de organizações da sociedade civil e dirigentes dos partidos políticos da oposição, incluindo o líder do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), terceiro maior partido moçambicano, Daviz Simango.

Como em todas as manifestações públicas de repúdio pela morte do académico, notou-se a ausência no velório da Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique), partido no poder.

Num discurso lido por um representante da família, o pai do constitucionalista, Jacques Cistac manifestou "desgosto e ódio" pela morte do filho, realçando que o académico se bateu pela justiça.

"O meu filho era obstinado, íntegro e tenaz. Dedicou-se à vida, ao Direito e à Justiça. Será que estas palavras têm sentido, valeram o preço da sua vida", questionou Jacques Cistac, expressando "desgosto e ódio" pela morte.

Por seu turno, o bastonário da Ordem dos Advogados de Moçambique, Tomás Timbane, disse que o Direito moçambicano ficou mais pobre com a morte de Gilles Cistac, exigindo a responsabilização criminal dos autores do homicídio.

"Até quando o Estado tolerará a intolerância pela livre expressão de pensamento", questionou Tomás Timbane, para quem "não é razoável pensar-se que Cistac não morreu pelo exercício da sua liberdade de expressão".

Alda Salomão, que falou no velório em nome das organizações da sociedade civil, afirmou que a morte de Gilles Cistac é uma forma de silenciar o livre pensamento e a liberdade de expressão em Moçambique.

"Os que estão contra a liberdade encontraram no terror das armas uma forma de tentarem silenciar os moçambicanos livres. Exigimos o máximo de integridade e celeridade nas investigações, para que este crime não acabe como outros que ficaram sem esclarecimento", afirmou Alda Salomão.

Gilles Cistac, conhecido por defender teses jurídicas muitas vezes desfavoráveis à Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique), partido no poder, foi assassinado a tiro na terça-feira da semana passada por desconhecidos, à saída de um café no centro de Maputo.

Na semana anterior ao assassínio, o académico anunciara que ia apresentar uma queixa contra um homem que se identificava na rede social Facebook pelo pseudónimo de Calado Kalashnikov e que acusou Cistac de ser um espião francês e de ter obtido a nacionalidade moçambicana de forma fraudulenta.

O funeral de Gilles Cistac vai realizar-se na próxima quinta-feira na sua terra natal, Toulouse, em França.


Lusa
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