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Mais de 150 mil assinam petição a acusar senadores norte-americanos de traição

Mais de 155 mil pessoas assinaram até hoje uma petição para a Casa Branca lançar acusações por traição contra os 47 senadores que escreveram aos líderes iranianos sobre as negociações nucleares em curso.

© Jonathan Ernst / Reuters

O grupo de 47 senadores republicanos divulgou, esta segunda-feira, uma carta aberta a Teerão, num gesto incomum, em que adverte que qualquer acordo sobre o programa nuclear que não seja aprovado pelo Congresso dos Estados Unidos irá caducar quando Barack Obama deixar a Casa Branca, em menos de dois anos, porque o próximo presidente norte-americano poderá revogá-lo. 

A Casa Branca tinha afirmado que responderia à petição quando atingisse as 100 mil assinaturas.

A petição proporciona ao Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, mais uma oportunidade de debater a carta dos republicanos, já qualificada de "inflamatória".

Segundo a petição, os 47 senadores "cometeram traição quando decidiram violar o Ato de Logan, uma lei de 1799 que proíbe cidadãos não autorizados de negociarem com governos estrangeiros".

Os peticionários alegam que os senadores, incluindo três potenciais candidatos às presidenciais de 2016, de terem violado a lei ou, no mínimo, a tradição do congresso.

"Essa carta, concebida unicamente para debilitar um presidente no cargo numa altura de negociações internacionais sensíveis, é indigna para uma instituição que eu venero", escreveu, numa extensa missiva, o vice-presidente norte-americano, Joe Biden, que desempenhou funções como senador durante 36 anos.

"Em 36 anos no Senado não me consigo lembrar de outra ocasião em que os deputados escreveram diretamente para sugerir a outro país -- muito menos a um adversário de longa data -- que o presidente não tem autoridade constitucional para alcançar um acordo significativo com ele", disse Biden.

Teerão também criticou a carta dos senadores, considerando-a como uma "manobra de propaganda", "sem qualquer valor legal".

Hoje, o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, afirmou que a carta dos senadores republicanos é uma "ameaça à confiança global nos Estados Unidos".

"Pode minar a confiança dos governos estrangeiros em milhares de importantes acordos", afirmou Kerry.

O Irão e representantes do Grupo 5+1 (Estados Unidos, China, França, Reino Unido e Rússia, além da Alemanha) concluíram a semana passada uma nova ronda de negociações para alcançar um acordo sobre o desenvolvimento da tecnologia nuclear iraniana.

O prazo imposto pelos negociadores expira no final de junho, mas ambas as partes comprometeram-se no sentido em que, para o cumprir, deve ser alcançado um acordo-quadro antes do fim deste mês.

O Irão e as grandes potências estão a tentar entender-se quanto a um acordo global que autorize algumas atividades nucleares civis mas impeça Teerão de se dotar da arma atómica, em troca do levantamento das sanções internacionais impostas à sua economia.

O Presidente, Barack Obama, afirmara no domingo, numa entrevista à estação televisiva CBS, que os Estados Unidos abandonariam a mesa das negociações com o Irão se não se pudesse concluir um acordo verificável sobre o seu programa nuclear.

Lusa
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