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ONU condena repressão policial contra estudantes na Birmânia

A ONU criticou hoje a repressão duma manifestação estudantil esta semana na Birmânia, exigindo que os participantes sejam libertados e as autoridades investiguem as acusações de uso excessivo de força policial. 

10 de Março de 2015 em Letpadan - forças antimotim, armadas com bastões, dispersaram estudantes e ativistas e detiveram 127 pessoas.

10 de Março de 2015 em Letpadan - forças antimotim, armadas com bastões, dispersaram estudantes e ativistas e detiveram 127 pessoas.

© Soe Zeya Tun / Reuters

Nos últimos dias, manifestações de estudantes birmaneses que exigiam reformas educativas foram brutalmente reprimidas em duas ocasiões. 

Na terça-feira, em Letpadan, no centro do país, forças antimotim, armadas com bastões, dispersaram estudantes e ativistas e detiveram 127 pessoas. 

"Estamos preocupados com a detenção de mais de 100 estudantes e outros manifestantes, que participaram no protesto em Letpadan", na terça-feira, disse Ravina Shamdasani, porta-voz do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos. 

Cerca de 60 detidos foram acusados ao abrigo de várias leis, acrescentou. 

"Pedimos ao governo para libertar incondicionalmente todos os detidos no exercício pacífico dos direitos de manifestação e liberdade de expressão e rever leis que restrigem desnecessaria e desproporcionadamente os direitos das pessoas", disse, numa referência à lei sobre o direito de manifestação e concentração pacíficas, ao abrigo da qual vários manifestantes foram acusados. 

Shamdasani indicou que o governo birmanês tinha já aberto uma investigação relativa a outro incidente, em Rangum em 05 de março, mas pediu também que as autoridades "investiguem o que aconteceu nos protestos de terça-feira". 

"O uso da força pelas autoridades só deve ser exercido de forma estritamente necessária e proporcional à ofensa cometida", acrescentou. 

Durante meses, estudantes manifestaram-se na Birmânia (Myanmar) contra a legislação educativa e exigir mudanças, incluindo a descentralização do sistema escolar, autorização para constituir associações de estudantes e o ensino de línguas de minorias étnicas. 

Em 20 de janeiro, os estudantes iniciaram uma marcha na região de Mandalay, no centro do país, com destino a Rangum, para tentarem conseguir a alteração da lei. 

As conversações entre o governo e jovens ativistas levaram à discussão das reformas propostas no parlamento. 

Na semana passada, os estudantes retiraram-se das negociações devido aos esforços policiais para travar os ativistas em Letpadan que pretendiam seguir para Rangum. 


Lusa
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