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Oposição questiona exercícios militares e fala da guerra dos venezuelanos contra a violência

A oposição questionou hoje as "manobras cívico militares especiais" convocadas pelo Presidente Nicolás Maduro para defender a soberania e lutar contra o 'imperialismo', sublinhando que a guerra dos venezuelanos é contra a violência, nas ruas. 

Arquivo SIC

"Aqui não vem nenhuma guerra. Não se deixem levar por contos e novelas 'chimbas' (inventadas). Aqui não vem nenhuma invasão. Tudo isto é para que vocês (os venezuelanos) desviem a atenção para essa tema. Estão procurando distrair o povo da grave crise económica que há. A guerra que vivemos é a da violência", disse Henrique Capriles Radonski.

O Governador do Estado venezuelano de Miranda e ex-candidato presidencial falava durante um ato escolar, na localidade de Guatire (leste de Caracas), onde recordou que todos os dias são assassinadas pessoas na Venezuela e insistiu que para sair da crise económica e da falta de abastecimento de produtos é preciso impulsar a produção nacional.

"Se não produzirmos continuaremos a viver esta situação, que cada dia será mais difícil. Os empreendedores são os protagonistas deste país. A Venezuela é uma terra abençoada, tem tudo para ser uma grande nação e se produzirmos tudo não teremos que importar nada", disse.

Segundo o líder opositor a escassez de produtos na Venezuela é o resultado da destruição da produção, "ninguém pode entender que num país com as reservas de petróleo mais importantes do planeta, não haja nem sabonete para tomar banho".

"O nosso povo tem que fazer filas porque não se produz e não há suficientes dólares para importar (...) além disso a produção de petróleo é insuficiente. Esta é a realidade que temos que mudar", frisou.

Pelo menos 100 mil militares e 20 mil civis (milicianos) participaram sábado em manobras cívico militares especiais convocadas pelo Presidente Nicolás Maduro, centradas na defesa da soberania da Venezuela e na luta contra o 'imperialismo' norte-americano.

Os exercícios, segundo o ministro venezuelano da Defesa, Vladimir Padrino López, vão realizar-se durante 10 dias em várias regiões do país e não pretendem ser "uma demonstração bélica" do sistema de armamento venezuelano, mas uma "articulação cívico militar".

A 11 mar de março, o Presidente Nicolás Maduro, anunciou a realização de um "exercício militar defensivo especial", em resposta à decisão dos EUA de impor sanções contra funcionários de Caracas e de declarar que a Venezuela é uma "ameaça" para a segurança norte-americana.

"Ordenei, no quadro do plano de exercícios militares de 2015, um exercício militar defensivo especial", disse.

O Presidente dos EUA, Barack Obama, ordenou segunda-feira a aplicação de novas sanções a altos responsáveis venezuelanos, atuais e antigos, que acusa de violação dos direitos humanos.

As sanções a aplicar a sete altos responsáveis venezuelanos, entre os quais o diretor-geral dos serviços secretos e o diretor da polícia nacional, são a proibição de entrada nos Estados Unidos e o congelamento de bens.

Obama declarou igualmente que existe uma situação de "emergência nacional" nos EUA devido ao "extraordinário risco" que representa a situação na Venezuela para a segurança norte-americana.


LUSA
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