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Ministra francesa da Saúde não recomenda retirada de próteses mamárias

A ministra da Saúde de França, Marisol Touraine, disse hoje que as mulheres que têm implantes mamários "não devem preocupar-se excessivamente" com o risco de cancro associado ao uso de próteses, não recomendando a sua retirada.

© Philippe Wojazer / Reuters

A ministra falava em conferência de imprensa depois de hoje o diário francês Le Parisien ter publicado uma notícia em que a Agência Nacional de Segurança do Medicamento (ANSM) alertava para o risco de cancro associado ao uso de próteses mamárias.

O alerta surge depois de terem surgido no país vários casos de cancro em mulheres com implantes.

Citado pelo jornal, o diretor-geral adjunto da ANSM, François Hébert, admitiu mesmo proibir o uso de próteses.

A ministra adiantou, por seu lado, que o número conhecido de linfomas associado ao uso de próteses é reduzido.

"Não se recomenda às mulheres que tenham próteses que as retirem", disse Marisol Touraine, assegurando que "a vigilância é total" e que foram reforçados os procedimentos de informação a quem pretende colocar implantes mamários.

A partir da análise dos 18 casos de linfoma anaplásico de células grandes (LACG), detetados em França, foi possível perceber que os cancros foram diagnosticados em média entre 11 a 15 anos depois de a colocação dos implantes, ainda que num dos casos tenha sido diagnosticado apenas dois anos depois da colocação.

As mulheres afetadas tinham idades entre os 42 e os 83 anos, e 14 das 18 tinham próteses do fabricante norte-americano Allergan, que tem uma quota de 30 por cento do mercado francês de próteses mamárias.

Em Portugal, a Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed) "não recebeu, nos últimos anos, nenhuma notificação de incidente ocorrido no país, em portadores de implantes mamários da marca Allergan".

Em resposta escrita à agência Lusa, fonte oficial desta Autoridade acrescenta ainda que há vários implantes mamários da marca Allergan nos registos efetuados pelos distribuidores de dispositivos médicos ao Infarmed.

O Infarmed adianta também que está a acompanhar, a nível europeu, a situação reportada pelas autoridades de saúde francesas.

Em todo o mundo há conhecimento de 173 casos deste tipo de linfoma, que, segundo Hébert, "parece associado às próteses mamárias" e que não se declarou em mulheres que não as têm.

Ainda que se trate de um risco aparentemente reduzido, tendo em conta as 400 mil mulheres que têm implantes em França, os responsáveis de saúde decidiram como primeira medida obrigar os médicos a alertarem as mulheres para este novo risco, enquanto esperam pelo relatório dos especialistas da ANSM sobre o assunto.

Os responsáveis da Allergan, que confirmam estar a participar em discussões com a ANSM sobre este assunto, sublinham a transparência do procedimento, adiantando que o número de casos é muito reduzido para poder tirar conclusões.

Segundo Hébert, não foi detetada qualquer anomalia nas inspeções dessa marca feitas no período 2012-2013, ressalvando que há que "analisar os dados com cuidado", porque muitas mulheres usaram, ao longo dos anos, próteses de vários fabricantes.

Numa nota de 4 de março, o Instituto Nacional do Cancro de França (INCA) pede aos médicos que façam um rastreio a este linfoma ao menor sinal, pois "existe claramente uma ligação entre esta patologia e o uso de um implante".

Os especialistas suspeitam que o problema não está no conteúdo, mas no revestimento do implante.

Hébert recordou o escândalo das próteses do fabricante francês PIP, que trocava o gel autorizado para os implantes por outro mais barato, o que frequentemente causava a rutura dos implantes.

O fabricante francês foi condenado judicialmente em 2013.

"O escândalo Poly Implant Prothèse mostrou que podia haver perigo. Por isso estamos muito atentos a este tema", assinalou Hérbert.

Lusa

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