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Deputado canadiano aconselha mulheres que usam véu a "ficar no inferno de onde vieram"

O deputado conservador canadiano Larry Miller está a ser alvo de várias críticas após ter aconselhado as mulheres que pretendam utilizar o niqab durante a cerimónia de cidadania que fiquem "no inferno de onde vieram". 

Também o primeiro-ministro canadiano criticou o véu usado por mulheres muçulmanas para cobrirem o rosto, considerando-o um produto de uma cultura que é "anti-mulheres".

Também o primeiro-ministro canadiano criticou o véu usado por mulheres muçulmanas para cobrirem o rosto, considerando-o um produto de uma cultura que é "anti-mulheres".

"Se não está disposta a mostrar o rosto numa cerimónia em que se vai unir ao melhor país do mundo, francamente, se não gosta de o fazer, ou não o pretende fazer, deve ficar no inferno de onde veio", afirmou Larry Miller.  

O deputado federal eleito pelo distrito eleitoral de Bruce-Grey-Owen Sound, no Ontário, participou num programa radiofónico e demonstrou desagrado pela decisão do tribunal constitucional ao não permitir que o Governo de Stephen Harper proíba o véu que cobre a face das mulheres durante as cerimónias de cidadania. 

"Este é mais um sistema legal que um sistema de justiça. Sei que é errado que utilizem o véu nas cerimónias", respondeu Larry Miller a um ouvinte que abordou a questão do véu utilizado pelas mulheres muçulmanas. 

Larry Miller admitiu que as suas afirmações podem ser "duras", mas que está "cansado" de pessoas que pretendem ir para o Canadá "porque sabem que é um bom país e querem mudar as coisas mesmo antes de se tornarem oficialmente cidadãos canadianos". 

Entretanto, a oposição já criticou as afirmações do conservador. A deputada do NDP (esquerda) Lysane Blanchette-Lamothe considerou ridículas estas declarações de Miller.

"Semanas após o primeiro-ministro (Stephen Harper) e o seu gabinete a estimularem a islamofobia, [os conservadores] provaram realmente que estas ações esporádicas de racismo funcionam", afirmou.

Também o deputado liberal (centro-esquerda) Emmanuel Dubourg mostrou-se "chocado" com aquelas afirmações, considerando-as "incrivelmente ofensivas". 

"Como imigrante, fiquei chocado e aterrorizado ao ouvir tais comentários vergonhosos de outro deputado do partido conservador de Stephen Harper. O Canadá precisa de uma liderança que reconheça que somos fortes, não por causa das nossas diferenças, mas por causa delas. Devemos unir os canadianos e não dividi-los", referiu, numa conferência de imprensa em Otava. 

Entretanto, Larry Miller emitiu esta semana um pedido de desculpas através de um comunicado, reconhecendo que proferiu "declarações inapropriadas", mantendo, no entanto, a sua opinião de que ninguém, durante a cerimónia de cidadania, deva estar com a "cara coberta". 

O gabinete do primeiro-ministro também veio distanciar-se dos comentários do deputado de Bruce Grey-Owen Sound, naquela que foi a última polémica relacionada com o véu islâmico denominado por niqab. 

Na semana passada, Stephen Harper voltou a criticar o véu usado por mulheres muçulmanas para cobrirem o rosto, considerando-o um produto de uma cultura que é "anti-mulheres". 

Uma pesquisa da "Forum Research" divulgada na terça-feira revelou que 67 por cento dos canadianos opõe-se à utilização de véus por mulheres nas cerimónias de atribuição de cidadania. A província francófona do Quebeque obteve o maior número de votos contra a utilização do niqab, com 87 por cento, enquanto no Ontário 63 por cento opõem-se ao uso do véu. 


Lusa
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