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Papa entra no território da máfia e diz que "uma sociedade corrupta fede"

O papa Francisco pronunciou hoje um dos seus discursos mais severos ao afirmar em Nápoles (Itália), no território da máfia, que "a corrupção é suja", que "uma sociedade corrupta fede" e que quem permite a corrupção também tresanda.

© Ciro Luca / Reuters

O pontífice católico proferiu estas declarações durante um discurso perante dezenas de milhares de pessoas em Scampia, um dos bairros da periferia norte de Nápoles, que está tradicionalmente vinculado à máfia local, a 'camorra'.

"Quanta corrupção há no mundo. (...) A corrupção é suja e a sociedade corrupta fede. Um cidadão que deixa que o invada a corrupção não é cristão. Tresanda", afirmou Jorge Bergoglio, acrescentando que "todos nós temos o potencial de ser corruptos e de escorregarmos para a criminalidade".

Francisco chegou à zona pobre e dominada pelo crime num papamóvel e imediatamente mergulhou numa multidão de crianças e jovens, dois dos quais conseguiram tirar uma 'selfie' com o pontífice.

Ao longo do dia cerca de 800.000 pessoas devem visitar a cidade do sul da Itália para saudar o pontífice argentino, que no ano passado declarou guerra ao crime organizado ao "excomungar" todos os mafiosos da Igreja Católica.

A segurança foi reforçada para esta visita, devido aos riscos decorrentes de 'gangsters' com rancor e porque o papa foi também ameaçado pelo grupo Estado Islâmico (EI), pelo que viagens fora do Vaticano são consideradas oportunidades para tentativas de assassinato.

Depois de um massacre num museu da Tunísia esta semana, reivindicado pelo EI, todos os olhos estão na segurança do idoso papa, com 3.000 polícias extra colocados ao longo da rota que Francisco vai seguir, incluindo atiradores nos telhados.Antes da sua chegada a Scampia, o papa começou o dia na antiga cidade romana de Pompeia.

Mais tarde deverá realizar missa na Piazza del Plebiscito, no centro histórico de Nápoles, perto do Golfo de Nápoles, antes de visitar a superlotada prisão Poggio Reale da cidade, onde estão 2.500 presos num espaço criado para 1.400.



Lusa