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Funcionamento do maior acelerador de partículas adiado devido a curto circuito

A retoma do funcionamento pleno do maior acelerador de partículas do mundo pode atrasar-se, durante dias ou semanas, devido a um curto-circuito verificado no sábado, anunciou hoje a Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear/CERN.

Reuters

A anomalia ocorreu nos circuitos de ímanes do acelerador e a sua reparação poderá demorar "alguns dias ou várias semanas", admitiu o CERN em comunicado.

A organização, da qual Portugal é um dos países-membros, refere que "uma avaliação completa da situação está em curso" e que "o calendário revisto será anunciado assim que for estabelecido".

Há cerca de duas semanas, o CERN anunciou que o Grande Colisionador de Hadrões (LHC, na sigla inglesa) deverá retomar a colisão de protões no fim de maio ou em junho, após uma paragem técnica de mais de dois anos.

Na nota hoje divulgada, a organização assinala que sete dos oito setores da máquina estão em condições de trabalhar com o dobro da energia.

Contudo, a reparação da avaria "poderá demorar um certo tempo", uma vez que a anomalia "se situa na parte fria da máquina e, por conseguinte, será possivelmente necessário proceder a um reaquecimento, e depois a um arrefecimento após a reparação", adianta o comunicado.

O CERN ressalva, porém, que as consequências do atraso para a exploração da segunda fase do LHC "serão mínimas" e que as melhorias introduzidas, este ano, permitirão explorar o potencial do acelerador para a física no período 2016-2018.

O LHC parou em fevereiro de 2013 para revisão, depois de ter confirmado a existência do Bosão de Higgs, também conhecido como "partícula de Deus", que, para os físicos, é considerada a chave mestra da estrutura fundamental da matéria.

O Bosão de Higgs valeu, nesse ano, o Prémio Nobel da Física para a dupla François Englert (belga) e Peter Higgs (britânico).

O acelerador de partículas, quando voltar a estar totalmente operacional, vai funcionar com o dobro da energia e com feixes mais intensos.

Os cientistas do CERN esperam descobrir novas partículas, que poderão alterar a compreensão do Universo, e vão sondar a supersimetria, um conceito teórico batizado como "Suzy" que procura explicar a matéria escura, matéria invisível que compõe cerca de um quarto de toda a matéria e energia do Universo e que manifesta a sua presença através dos efeitos gravitacionais que exerce sobre a matéria visível, como as galáxias e as estrelas.

Feixes contendo mil milhões de protões, e lançados a uma velocidade muito próxima da luz, vão circular no interior do LHC, um túnel circular escavado no subsolo e com 27 quilómetros de comprimento, situado na fronteira franco-suíça.


Lusa
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