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Sindicato espera "adesão em massa" à greve estudantil em Espanha

O Sindicato de Estudantes espanhol espera uma "adesão em massa" de alunos universitários e do secundário e dos professores à greve geral convocada para hoje e quarta-feira, contra as políticas para a educação do governo de Mariano Rajoy.

(Reuters/ Arquivo)

(Reuters/ Arquivo)

© Andrea Comas / Reuters

"Esperamos ver as salas de aula vazias. Há um mês convocámos uma greve - mas só com estudantes - e tivemos 40 mil a manifestarem-se em Madrid. Desta vez também estarão os professores universitários pelo que esperamos um impacto muito grande", disse à agência Lusa a secretária-geral do Sindicato dos Estudantes, Ana García.

 

A representante dos estudantes explicou que o protesto visa sobretudo "inverter um conjunto de políticas aplicadas pelo Governo PP" (no poder desde 2011) mediante as quais "se aumentou as propinas nas universidades cerca de 66%".

 

"Isto teve consequências muito graves: os alunos passaram a ter de pagar cerca de 2.000 euro/ano em propinas [em Espanha designadas taxas universitárias]. A medida levou a que cerca de 45 mil estudantes tenham deixado de estudar, por não terem recursos para pagar", realçou Ana García.

 

Para a dirigente sindical, o Ensino universitário em Espanha "deveria ser gratuito".

 

"As medidas do Governo de Rajoy retrocederam o acesso às universidades - e depois ao mercado de trabalho - à década de 1950, ao período franquista", disse, acrescentando que se trata de "medidas que levam a que apenas os filhos das pessoas com dinheiro possam frequentar a universidade".

 

Por outro lado, está o decreto "3+2", uma (nova) adaptação ao Processo de Bolonha (inicialmente os cursos superiores passaram de cinco para quatro anos) que limita o ensino superior a três anos, com um complemento de dois anos de frequência de um Mestrado.

 

"No mercado de trabalho [em Espanha] torna-se imprescindível um mestrado de dois anos, que aqui custa cerca de 4.000 euros/ano. Só para dar uma ideia, em Espanha existem cerca de 1,4 milhões de estudantes universitários e apenas 100 mil nos Mestrados. Isso significa que só os que têm bastante dinheiro conseguem frequentar", explicou.

 

Por outro lado, acrescentou, está "a redução do valor das bolsas de estudo e a redução do financiamento das Universidades". "Tudo junto acreditamos que o Governo quer e está a privatizar o Ensino Superior em Espanha, quando deveria ser gratuito ou muito mais barato, como em muitos países da Europa", concluiu.

 

Em Portugal a propina universitária mais alta ronda os 1.100 euros por ano.

 

Além da greve geral, as estruturas estudantis convocaram manifestações em 40 cidades espanholas. Em Madrid os estudantes concentram-se às 18:30 (menos uma hora em Lisboa) na Plaza Neptuno, centro de Madrid, e marcham depois em direção ao Ministério da Educação.

 

A greve conta com o apoio da Plataforma Estatal pela Escola Pública, que engloba os principais sindicatos dos professores (CCOO, CSI-F, UGT, ANPE, CGT, MRP y STES), organizações estudantis (Sindicato dos Estudantes, Estudantes em Movimento e Faest) e de pais (Ceapa).

 

 Lusa

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