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Kerry reafirma que Al-Assad é ditador brutal sem legitimidade para dirigir Síria

O secretário de Estado norte-americano reafirmou hoje que o Presidente sírio é "um ditador brutal, sem legitimidade para dirigir" o país, dez dias depois de causar polémica ao declarar que "era preciso negociar" com Bashar al-Assad. 

© Yuri Gripas / Reuters

Antes de voar para a Suíça, com a esperança de concluir um acordo sobre o programa nuclear iraniano, John Kerry e a sua adjunta para o Médio Oriente, Anne Patterson, reuniram-se hoje com o antigo dirigente do Conselho Nacional Sírio, Moaz Al-Khatib, que dirigiu esta instância da oposição síria moderada de novembro de 2012 a abril de 2013. 

Os três dirigentes discutiram "os meios de fazer avançar uma solução política para a crise na Síria", segundo um comunicado do Departamento de Estado. 

"O secretário de Estado reafirmou o nosso compromisso em trabalhar por todas as vias diplomáticas para uma transição política fundada nos princípios de Genebra", ainda segundo o texto. 

No verão de 2012, as potências internacionais, designadamente EUA e Federação Russa, redigiram um documento, intitulado "Genebra 1", em que se apelava à constituição de um governo de transição na Síria, dotado de plenos poderes, mas sem esclarecer o destino do Presidente Al-Assad.

Uma conferência de paz, intitulada "Genebra 2", reuniu-se depois, em janeiro de 2014, com representantes do regime de Damasco e da oposição moderada, mas não produziu qualquer resultado. 

Os EUA defenderam sempre que a transição deveria fazer-se com "elementos" do regime sírio, mas sem Assad, que deveria "partir". 

Porém, nos últimos meses, Washington reduziu as suas críticas ao Presidente sírio.

Mas agora Kerry sublinhou, perante o opositor sírio Al-Khatib, que "Bashar al-Assad é um ditador brutal, sem qualquer legitimidade para governar a Síria". 

Em 15 de março, durante uma entrevista à televisão CBS, o chefe da diplomacia norte-americana declarou que, "no final, vai ser preciso negociar".

E quando esta cadeia de televisão norte-americana lhe perguntou se estava disposto a falar com o Presidente sírio, Kerry respondeu: "Se ele estiver pronto para fazer negociações sérias sobre a aplicação de Genebra 1, claro". 

Na ocasião, os governos de Paris e Londres demarcaram-se das afirmações de Kerry e o Departamento de Estado minimizou a dimensão da afirmação, desmentindo qualquer mudança de posição diplomática de Washington a respeito de Al-Assad.

Lusa
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