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Armando Guebuza demite-se da liderança do partido no poder em Moçambique

O presidente da Frelimo, Armando Guebuza, demitiu-se este domingo da liderança do partido no poder em Moçambique, anunciou o porta-voz da força política, Damião José.

Segundo o porta-voz, Armando Guebuza justificou a decisão com a necessidade de "união e coesão" no partido e "chegou à conclusão de que era o momento ideal para colocar à disposição o seu cargo de presidente da Frelimo, assim como de presidente da Associação de Combatentes da Luta de Libertação Nacional". (Arquivo)

Segundo o porta-voz, Armando Guebuza justificou a decisão com a necessidade de "união e coesão" no partido e "chegou à conclusão de que era o momento ideal para colocar à disposição o seu cargo de presidente da Frelimo, assim como de presidente da Associação de Combatentes da Luta de Libertação Nacional". (Arquivo)

© Mike Segar / Reuters

"O camarada presidente Armando Emílio Guebuza surpreendeu os membros do Comité Central e apresentou a sua demissão, que foi aceite", adiantou aos jornalistas Damião José, acrescentando que ainda hoje será eleito um sucessor e que o atual Presidente da República, Filipe Nyusi, é, para já, o único candidato à liderança da Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique).

Os trabalhos, à porta fechada, do último dia da IV Sessão Ordinária do Comité Central, iniciados na quinta-feira na Matola, arredores de Maputo, foram alterados e os cerca de 200 membros do órgão vão escolher o sucessor do ex-chefe de Estado moçambicano, um tema que não constava da agenda da reunião.

Segundo o porta-voz, Armando Guebuza justificou a decisão com a necessidade de "união e coesão" no partido e "chegou à conclusão de que era o momento ideal para colocar à disposição o seu cargo de presidente da Frelimo, assim como de presidente da Associação de Combatentes da Luta de Libertação Nacional".

À luz dos estatutos, disse Damião José, o ex-líder da Frelimo continuará a ser membro da Comissão Política e "está disponível a continuar a tudo fazer para a manutenção da coesão da vitalidade do partido".

A continuidade de Guebuza na liderança da Frelimo estava a ser questionada por analistas e também por membros do partido, que alertavam para o risco da criação de dois centros de poder, fragilizando o Presidente da República, Filipe Nyusi, sobretudo nas negociações com a Renamo (Resistência Nacional Moçambicana), principal força de oposição, que ameaça tomar o poder pela força se o seu projeto de autarquias provinciais for chumbado no parlamento.

Na abertura dos trabalhos do Comité Central, Armando Guebuza criticou na quinta-feira os camaradas que publicamente procuram dividir e semear a confusão no partido.

"Preocupa-nos a postura e comportamento de alguns camaradas que publicamente engendram ações que concorrem para perturbar o normal funcionamento dos órgãos e das instituições e para gerar divisões e confusão no nosso seio", declarou.

Numa passagem não contida no seu discurso escrito, o antigo chefe de Estado moçambicano evocou o assassínio à bomba do fundador da Frelimo, Eduardo Mondlane, em 1969, e a morte em 1986 do primeiro Presidente de Moçambique, Samora Machel, num acidente de aviação que a organização atribui a um atentado do ex-governo do "apartheid" da África do Sul, como exemplos de tentativa de destruir o partido. 

"Talvez seja útil recordar que o objetivo deles é abater a Frelimo, é acabar com a Frelimo, temos experiências muito infelizes que nós conhecemos, algumas das quais vale a pena recordar: quando assassinaram Eduardo Mondlane, era para acabar com a Frelimo, quando assassinaram Samora Machel, era para acabar com a Frelimo, e naturalmente quando alimentam crises internas é para a Frelimo não se reerguer, para continuar com o projeto comum de 1962", ano da fundação do partido no poder, afirmou.

Em reação, o militante histórico da Frelimo Jorge Rebelo considerou que o discurso de Armando Guebuza criou medo e silenciou o debate. 

"Ele está a travar a discussão, quando lança esses recados de que há membros que estão a lançar publicamente ideias que enfraquecem o partido. Isso é que é mau, porque mete medo às pessoas e, pronto, aí estamos silenciados", afirmou à Lusa o antigo dirigente da Frelimo, sem assento no Comité Central, esperando que alguém levantasse o tema da sucessão de Guebuza durante os trabalhos e considerando que a alegada existência de dois centros e poder era "uma realidade".
Lusa
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