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Exército turco vai permitir que os militares usem barba

O estado-maior do Exército da Turquia anulou a ordem que impedia a entrada nas suas instalações de homens com barba, uma característica masculina associada no país a uma demonstração de religiosidade islâmica. 

Em paralelo, foi também eliminada a obrigação de os militares se barbearem diariamente, até agora imposta a todos os membros das Forças Armadas. (Arquivo)

Em paralelo, foi também eliminada a obrigação de os militares se barbearem diariamente, até agora imposta a todos os membros das Forças Armadas. (Arquivo)

© Osman Orsal / Reuters

Com a nova norma castrense, vai ser permitido que homens com barba entrem em todas as instalações militares, incluindo quartéis, clubes, centros sociais ou academias, informou hoje a agência Anadolu.  

Em paralelo, foi também eliminada a obrigação de os militares se barbearem diariamente, até agora imposta a todos os membros das Forças Armadas.  

"A farda baseia-se na austeridade; o conceito de vestuário inclui mãos, rosto e pelagem. É proibido usar barba, bigode e patilhas", ordenava até agora uma norma redigida durante o governo militar que se seguiu ao golpe de 1980. 

A Anadolu acrescenta que a proibição foi levantada "em resposta a numerosas petições de militares reformados".  

Na última década a proibição de usar barba foi considerada uma espécie de imposição simbólica das Forças Armadas, tradicionais guardiãs do laicismo na Turquia, contra as correntes islamitas que aconselham o uso da barba a todo o muçulmano crente. 

Em 1998 as autoridades turcas tentaram impor uma restrição semelhante nas universidades, semelhante à proibição do véu islâmico para as mulheres, mas ao contrário da norma castrense este regulamento nunca foi aplicado de forma estrita. 

No Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP, a formação conservadora e islamita no poder desde 2002), o aspeto mais comum entre os homens é um bigode muito recortado, enquanto muitas mulheres não prescindem do uso do véu islâmico. A barba é mais associada a correntes fundamentalistas, à esquerda, ou a círculos artísticos ou boémios. 
Lusa
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