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"Dez anos depois da morte, exemplo de João Paulo II continua vivo"

O papa Francisco lembrou esta quarta-feira, na audiência geral, os dez anos da morte de São João Paulo II, que se assinalam na quinta-feira.  

O "exemplo e testemunho (de João Paulo II) estão sempre vivos" entre os católicos, afirmou Francisco.

O "exemplo e testemunho (de João Paulo II) estão sempre vivos" entre os católicos, afirmou Francisco.

Andrew Medichini / AP

O "exemplo e testemunho (de João Paulo II) estão sempre vivos" entre os católicos, afirmou Francisco.  

A morte de João Paulo II foi comunicada por SMS aos meios de comunicação social, enquanto milhares de fiéis se encontravam reunidos na praça de São Pedro para rezar pelo líder da Igreja Católica.  

Ao longo destes dez anos, a figura do papa dos recordes nunca deixou de ser recordada pelos fiéis em eventos católicos. 

Considerado um dos líderes mais influentes do século XX, foi atribuído a João Paulo II um papel determinante no fim do regime comunista na Polónia natal.  

Karol Woytila suscitou divisões no seio dos católicos, ao opor-se à ordenação de mulheres e ao casamento dos padres e mantendo-se inflexível sobre a oposição da Igreja à contraceção. 

Em 1967, Woytila teve um papel importante na redação da encíclica "Humanae Vitae", que tratava das questões que impedem o aborto e o controle de natalidade por meios não-naturais. 

Por outro lado, foi um grande impulsionador do diálogo inter-religioso. 

João Paulo II foi eleito papa a 16 de outubro de 1978 e fez, no decurso de quase 27 anos de pontificado - o terceiro mais longo da história da Igreja Católica - mais viagens, canonizações e beatificações do que qualquer outro dos antecessores. 

O pontificado mais longo - de 34 ou 37 anos, segundo os historiadores - foi o de São Pedro, o apóstolo que se tornou no primeiro Bispo de Roma. Só Pio IX permaneceu no trono papal mais de três décadas, de junho de 1846 a fevereiro de 1878.

O polaco Karol Woytila, um dos papas mais poliglotas de sempre - falava praticamente todas as línguas ocidentais e uma grande parte das do leste, bem como latim e grego - foi também o chefe da Igreja Católica mais viajado. 

Desde a primeira viagem ao México (1979), visitou 131 países e 619 cidades, aldeias e santuários.

A bordo de aviões, barcos e automóveis, percorreu mais de 1,7 milhões de quilómetros, em 104 viagens internacionais e 143 visitas pastorais em Itália, correspondentes a mais de 31 voltas ao globo e 3,23 vezes a distância da Terra à Lua.

Os seus discursos, encíclicas (14) e documentos preenchem mais de 80.000 páginas, em 54 tomos publicados pelo Vaticano.

O papa polaco foi quem procedeu a mais canonizações (488) e beatificações (1.345) da história da Igreja Católica.

João Paulo II foi ainda quem mais bispos e cardeais ordenou (231 cardeais em nove consistórios), entre eles o então arcebispo de Buenos Aires Jorge Mario Bergoglio, atualmente papa Francisco, a 21 de fevereiro de 2001. 

Quando chegou a altura de escolher um sucessor, o cardeal australiano George Pell afirmou: 

"Estou praticamente certo de que a linha geral sobre a fidelidade aos ensinamentos católicos é absolutamente indiscutível. Haverá debates sobre a melhor maneira de divulgar a mensagem de Cristo, a melhor forma de viver a fé católica. Mas penso que ninguém que conheça verdadeiramente a Igreja acredite que é possível uma mudança radical", reconheceu o cardeal conservador. 

A 19 de abril, o conclave de cardeais eleitores (com menos de 80 anos) escolheu o alemão Joseph Ratzinger, de 78 anos, para chefiar a Igreja Católica, com o nome Bento XVI. 

Decano do conselho cardinalício, antes da morte de João Paulo II, Ratzinger dirigia a poderosa Congregação para a Doutrina da Fé, herdeira da Inquisição. 

Tal como João Paulo II a 26 de julho de 1967, Bento XVI foi consagrado cardeal, em junho de 1977, pelo papa Paulo VI. 

O papa polaco foi proclamado "santo" a 27 de abril do ano passado, depois do processo de canonização mais rápido da história. A canonização popular aconteceu logo a 8 de abril de 2005, quando durante o funeral, se ouviam gritos de "santo subito!" (santo já), palavras que se podiam ler também em vários cartazes. 
Lusa
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