sicnot

Perfil

Mundo

Mais de 110 mortos em novos combates no Iémen

Mais de 110 pessoas morreram em novos combates no sul do Iémen, entre rebeldes xiitas e partidários do presidente apoiado pela Arábia Saudita, enquanto a ajuda humanitária da Cruz Vermelha continua bloqueada. 

© Khaled Abdullah Ali Al Mahdi

Ao 12.º dia da operação de uma coligação militar liderada por Riade, os combates concentraram-se no sul, onde pelo menos 114 pessoas foram mortas, 53 das quais em Aden, segunda maior cidade do Iémen, de acordo com um balanço fornecido à agência noticiosa francesa AFP por diferentes fontes.  

A situação agrava-se no país, onde os hospitais já não conseguem, devido à falta de medicamentos, tratar os feridos, que rondam as centenas.  

Mas nenhuma ajuda chega do exterior. O Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV) indicou existirem "problemas logísticos" no encaminhamento da ajuda.  

"Temos autorizações para enviar um avião de carga com abastecimento médico", declarou uma porta-voz do CICV Sitara Jabeen. Mas há problemas com a aterragem no aeroporto de Sanaa, capital iemenita, onde "cada vez menos aparelhos conseguem aterrar". 

Cerca de 48 toneladas de medicamentos e conjuntos cirúrgicos esperam "luz verde" para seguirem, por avião ou por navio, indicou o CICV, pronto também a enviar tendas, geradores e equipamentos para reparar as redes de fornecimento de água destruídas pelos combates. 

A situação é particularmente grave em Aden, a grande cidade portuária do sul. Desde domingo, os confrontos resultaram "em 17 mortos civis e dez combatentes dos 'comités populares'", grupos que apoiam o presidente Abd Rabbo Mansur Hadi, refugiado em Riade, disse à AFP uma fonte médica. 

Uma fonte militar forneceu um balanço de 26 mortos entre os rebeldes xiitas 'hutis', apoiados pelo Irão. 

No início de março, estes milicianos e aliados, militares fiéis ao ex-presidente Ali Abdallah Saleh, conseguiram avançar para Aden. No domingo, tomaram a sede da administração provincial e aproximam-se de um porto, indicou a AFP. 

De acordo com a agência noticiosa espanhola EFE, os rebeldes xiitas tomaram já o porto de Aden (sul), o principal do país, apesar dos bombardeamentos aéreos e a partir de navios de guerra da coligação árabe liderada pela Arábia Saudita. 

Testemunhas citadas pela agência EFE relataram que os rebeldes foram apoiados por tanques do exército leal ao ex-presidente Ali Abdallah Saleh. 

No ano passado, os rebeldes conquistaram a capital iemenita, Sanaa, além de vastas regiões do norte e do centro do país. 

O avanço dos rebeldes tem deparado com a resistência dos combatentes dos 'comités populares', abastecidos com armas e munições pela coligação internacional, liderada pela Arábia Saudita, que lançou, a 26 de março, uma operação militar contra estas milícias xiitas, apoiadas pelo Irão. 

Um fotógrafo da AFP indicou ter visto, esta tarde, uma espessa coluna de fumo perto do aeroporto de Aden, sem que se conheça a sua origem. 

Em Dhaleh, também no sul, os combates fizeram pelo menos 19 mortos entre os rebeldes e 15 do lado dos 'comités populares', disse à AFP um responsável provincial. 

Em Zinjibar, capital da província de Abyane, a leste de Aden, membros dos 'comités populares' estão a cercar, desde domingo, a brigada 115 do exército, fiel ao ex-presidente Saleh e que está ao lado dos 'hutis', de acordo com apoiantes de Hadi. 

Ao fim do dia de domingo, os 'comités populares' tomaram, com o apoio de combatentes tribais, a localidade de Doufes, na estrada que liga Zinjibar a Aden. Os combates deixaram dois mortos entre o exército e cinco do lado 'huti', disseram fontes médicas. 

Em Lahj, a oeste de Aden, ataques da coligação internacional visaram a base aérea de Al-Anad e um campo militar próximo, onde foram mortes dez rebeldes, indicou fonte militar.

Entretanto, a Jordânia, que integra a coligação, anunciou hoje ter retirado, através da Arábia Saudita, 130 dos seus cidadãos no Iémen, elevando para 287 o número de jordanos que já deixaram o país. 

Três aviões indianos e um quarto russo aterraram em Sanaa para operações de evacuação, de acordo com um fotógrafo da AFP. 

A França retirou por mar, com um navio no porto de Balhaf (leste), mais 63 pessoas de diferentes nacionalidades, incluindo 23 franceses, para o Djibuti, disse fonte oficial. 

No Paquistão, a participação, ou não, na coligação internacional no Iémen continua a ser tema de debate, enquanto a Arábia Saudita pediu ao aliado sunita aviões, navios de guerra e tropas para operações em terra. 

O Paquistão conta 20% de xiitas, o que torna no segundo país do Islão xiita, logo a seguir ao Irão. 

Em Riade, o conselho de ministros, presidido pelo rei Salman, voltou a repetir hoje que a campanha no Iémen visava "socorrer um país vizinho e a autoridade legítima". 

Lusa
  • Um retrato devastador do "pior dia do ano"
    2:47
  • Um olhar sobre a tragédia através das redes sociais
    3:22
  • "Estão a gozar com os portugueses, esta abordagem tem de mudar"
    6:45

    Opinião

    José Gomes Ferreira acusa as autoridades e o poder político de continuarem a abordar o problema da origem dos fogos de uma forma que considera errada. Em entrevista, no Primeiro Jornal, o diretor adjunto da SIC, considera que a causa dos fogos "é alguém querer que a floresta arda". José Gomes Ferreira sublinha que não se aprendeu com os erros e que "estão a gozar com os portugueses".

    José Gomes Ferreira

  • "Os portugueses dispensam um chefe de Governo que lhes diz que isto vai acontecer outra vez"
    6:32

    Opinião

    Perante o cenário provocado pelos incêndios, os portugueses querem um chefe de Governo que lhes diga como é que uma tragédia não volta a repetir-se e não, como disse António Costa, que não tem uma fórmula mágica para resolver o problemas dos fogos florestais. A afirmação é de Bernardo Ferrão, da SIC, que questiona ainda a autoridade da ministra da Administração Interna para ir a um centro de operações, uma vez que é contestada por toda a gente.

  • Portugal precisa de "resultados em contra-relógio, após décadas de desordenamento florestal"
    1:18
  • Jornalista que denunciou corrupção do Governo de Malta morre em explosão

    Mundo

    A jornalista Daphne Caruana Galizia, que acusou o Governo de Malta de corrupção, morreu esta segunda-feira, numa explosão de carro. O ataque acontece duas semanas depois de a jornalista maltesa recorrer à polícia, para dizer que estava a receber ameaças de morte. A morte acontece quatro meses após a vitória do Partido Trabalhista de Joseph Muscat, nas eleições antecipadas pelo primeiro-ministro, após as alegações da jornalista, que o ligavam a si e à sua mulher ao escândalo dos Panama Papers. O casal negou as acusações de que teriam usado uma offshore para esconder pagamentos do Governo do Azerbaijão.