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Cientistas pedem mais esforços para proteger Grande Barreira de Coral

Cientistas australianos lançaram um apelo à eliminação de todos os fatores que afetam atualmente a Grande Barreira de Coral para que possa recuperar o seu esplendor, num artigo publicado na revista Nature Climate Change, hoje divulgado.

Os cientistas pedem políticas que procurem proteger e conservar esta área, no nordeste da Austrália, declarada Património da Humanidade pela Unesco em 1981.

"O nosso texto mostra que cada um dos principais fatores de 'stress' da Barreira aumenta há décadas -- mais pesca, poluição, desenvolvimento costeiro, dragagens --, pelo que agora, nos últimos 20 anos, vemos o impacto das mudanças climáticas", disse Terry Hugues, da Universidade James Cook, coautor do artigo.

Segundo um estudo recente, realizado pelo próprio governo australiano, a Grande Barreira de Coral perdeu, ao longo dos últimos 40 anos, mais de metade dos seus corais, esperando-se "uma maior deterioração no futuro".

"Devemos superar a nostalgia e a resignação no sentido de identificar de que forma pode a deterioração da Grande Barreira de Coral pode ser revertida", afirmou Terry Hugues, citado num comunicado divulgado pela Universidade James Cook.

Jon Brodie, outro dos autores do estudo, apontou que o desafio passa por "utilizar os conhecimentos científicos para prevenir maiores danos e por dar à Grande Barreira o espaço necessário que lhe permita recuperar-se".

"Si isso significa menos dragagem, menos extração de carvão e mais pesca sustentável, então é isso que a Austrália deve fazer", acrescentou Jon Day, que também participou no artigo, referindo-se às medidas para travar o avanço dos fatores de 'stress'.

No documento, os cientistas australianos prescrevem seis medidas chave para restaurar o esplendor da Grande Barreira de Coral, instando nomeadamente a que seja dado maior enfase à sua conservação e proteção, ao abandono dos combustíveis fósseis para fazer frente às mudanças climáticas e à adoção de leis contra o despejo de resíduos devido à dragagem na área protegida. 

O Comité do Património da Humanidade da Unesco deve decidir este ano se inscreve a Grande Barreira de Coral na lista de lugares em perigo, uma decisão que adiou em meados de 2014 para dar a oportunidade a Camberra de demonstrar que está a adotar medidas.

Diversas organizações ambientalistas têm advertido para os perigos, incluindo o Fundo Mundial para a Natureza (WWF, na sigla em inglês) que alertou que a Grande Barreira de Coral corre mesmo o risco de se tornar "numa lixeira", se Camberra não proibir totalmente os despejos nas águas próximas do local.

Para evitar que fosse colocado na lista do património em perigo, a Austrália proibiu, em janeiro último, o despejo de resíduos provenientes de dragagens que, segundo os ecologistas, destroem a zona ao asfixiar os corais e as algas que constituem a maior formação viva no planeta, expondo-a a venenos variados. 

A Grande Barreira, que alberga 400 tipos de coral, 1.500 espécies de peixes e 4.000 variedades de moluscos, começou a deteriorar-se na década de 1990 devido ao duplo impacto do aquecimento da água do mar e do aumento do grau de acidez por causa de uma presença maior de dióxido de carbono na atmosfera.

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