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Múmias revelam que estirpes de tuberculose tiveram origem num antepassado romano

Amostras de múmias de uma cripta húngara revelaram que múltiplas estirpes da tuberculose resultam de um único antepassado romano, que circulou no século XVIII na Europa, revela esta terça-feira a publicação científica Nature Communications. 

Os investigadores extraíram amostras de 26 dos corpos recorrendo a marcadores para infeção por tuberculose, e oito delas revelaram-se boas o suficiente para permitir o sequenciamento genético do germe 'Mycobacterium tuberculosis'. (Arquivo)

Os investigadores extraíram amostras de 26 dos corpos recorrendo a marcadores para infeção por tuberculose, e oito delas revelaram-se boas o suficiente para permitir o sequenciamento genético do germe 'Mycobacterium tuberculosis'. (Arquivo)

© Tomas Bravo / Reuters

Na origem da descoberta está o facto de, em 1994, trabalhadores a restaurar uma igreja dominicana em Vac, na Hungria, terem descoberto os restos de mais de 200 pessoas cujos cadáveres se haviam mumificado naturalmente.

Os indivíduos, muitos deles católicos abastados, foram colocados, completamente vestidos, numa cripta de uma igreja ao norte da capital, Budapeste, entre 1731 e 1838, e um microclima de ar excecionalmente seco impediu os corpos e as roupas de apodrecerem.

Em muitos casos, os nomes e detalhes sobre a morte dos indivíduos estavam disponíveis através de registos - tornando-se um tesouro para os epidemiologistas, que assim obtiveram pistas valiosas sobre como as doenças se disseminavam em épocas anteriores.

Os investigadores extraíram amostras de 26 dos corpos recorrendo a marcadores para infeção por tuberculose, e oito delas revelaram-se boas o suficiente para permitir o sequenciamento genético do germe 'Mycobacterium tuberculosis'.

O 'Mycobacterium tuberculosis' foi descrito pela primeira vez em 1882, pelo microbiologista alemão Robert Koch, segundo quem a doença matava uma pessoa em cada sete, mas os investigadores atuais concluíram que a doença já grassava na Europa no século XVIII, antes das habitações lotadas a terem tornado numa assassina em larga escala.

"A análise microbiológica de amostras de pacientes contemporâneos com tuberculose costumam revelar uma única estirpe da doença por paciente", disse Mark Pallen, da Escola Médica da Universidade de Warwick, no centro de Inglaterra, que liderou a nova pesquisa.

"Por contraste, cinco dos oito corpos estudados mostraram mais de um tipo de tuberculose - num dos casos, de um único indivíduo obtivemos evidência de três estirpes distintas", acrescentou.

Todas as amostras transportavam a assinatura genética de uma estirpe de tuberculose chamada 'Lineage 4', atualmente responsável por mais de um milhão de casos de tuberculose por ano na Europa e nas Américas.

Ao fazer a árvore genealógica do germe, a equipa de investigadores relacionou o antepassado com o período romano tardio, o que "confirma a continuidade genótipo de uma infeção que tem devastado o coração da Europa desde tempos pré-históricos", disse Pallen.

Os defensores da datação romana estimam que a tuberculose tenha surgido há 6.000 anos, enquanto outros especialistas sugerem que a doença se espalhou entre os seres humanos há dezenas de milhares de anos.

As múmias descobertas há 21 anos dentro de caixões emparedados na igreja, correspondiam a 265 corpos, desde padres a habitantes locais, e estão agora alojadas no Museu de História Natural Húngaro, que participou na investigação.
Lusa
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