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Presidente do Zimbabué critica Ocidente em visita à África do Sul

O Presidente do Zimbabué, Robert Mugabe, que faz a sua primeira visita de Estado à África do Sul em 21 anos, teceu hoje violentas críticas sobre a colonização ocidental em África e a recente intervenção no mundo árabe.

© Siphiwe Sibeko / Reuters

O veterano líder, de 91 anos, aproveitou a oportunidade de uma conferência de imprensa, em que participava em Pretória com o seu homólogo e anfitrião sul-africano, Jacob Zuma, ser transmitida pela televisão, para criticar o Conselho de Segurança das Nações Unidas, os Estados Unidos e a ex-potência colonial Grã-Bretanha.

"Queremos um ambiente político em que não tenhamos a interferência de pessoas de fora e sejamos senhores de nós mesmos em África", declarou Mugabe aos repórteres, acrescentando não se sentir alvo de um "tratamento justo" por parte das Nações Unidas.

 Para Mugabe, os países em desenvolvimento devem estar unidos contra os EUA, a França e a Grã-Bretanha, três dos cinco Estados que são membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU.

Os EUA, a França e a Grã-Bretanha "perturbam o mundo árabe e deixam-no dilacerado. Veja-se o que fizeram com a Líbia", disse, acrescentando que as guerras lideradas pelos EUA no Iraque revelaram uma "abordagem imprudente e brutal do Ocidente".

Mugabe, que é muitas vezes acusado de abusos dos direitos humanos no Zimbabué, disse que a sua visita de Estado a Pretória representa a vitória de África sobre os colonialistas.

"Agora, somos o nosso próprio povo, e temos o Presidente Zuma aqui [na África do Sul] e o Presidente Mugabe no Zimbabué - que foi aquilo pelo que lutámos", acrescentou numa autorreferência.

"Os recursos africanos pertencem a África. Outros podem vir a ajudar como nossos amigos e aliados, mas não mais como colonizadores ou opressores, não mais como racistas", concluiu.


Lusa
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