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Apenas um terço dos países atingiu objetivos de educação fixados há 15 anos

Apenas um terço dos 164 países que há 15 anos lançaram a iniciativa Educação para Todos atingiram os objetivos fixados, revela o relatório anual da UNESCO divulgado hoje.

Arquivo

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© Eric Gaillard / Reuters

A divulgação do relatório de acompanhamento da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) ocorre um mês antes da realização do Fórum Mundial da Educação em Incheon (Coreia do Sul).

Países europeus, mas também o Quirguistão, a Mongólia e Cuba encontram-se entre o terço bem-sucedido, enquanto vários países da África subsaariana, o Paquistão ou o Iémen ficaram longe dos objetivos.

O objetivo orientador de fornecer educação primária universal foi atingido por 52% dos países, enquanto 10% estão perto de o conseguir, 29% estão longe e 9% muito longe, precisa a UNESCO.

Um terço das crianças que não vão à escola vivem em zonas de conflito, fenómeno que se agravou desde 2000 e ao qual as raparigas são particularmente vulneráveis. Na Síria, alguns temem que a crise resulte numa "geração perdida". 

Em 15 anos, "o mundo fez progressos significativos", assinalou a diretora-geral da UNESCO, Irina Bokova, citada no comunicado de divulgação do relatório.

Mas, segundo a responsável, os governos devem "dar prioridade aos mais pobres, especialmente às raparigas".

As crianças mais pobres do mundo têm uma probabilidade de ir à escola quatro vezes inferior à das crianças mais ricas, refere o relatório.

Cerca de 58 milhões de crianças estão fora da escola em todo o mundo e 100 milhões não conseguem completar o ensino primário. 

A paridade de género melhorou ao nível do primário e do secundário, mas a educação das raparigas é frequentemente travada por "casamentos precoces e gravidezes", adianta o relatório.

O objetivo de diminuir em 50% o número de adultos analfabetos só foi atingido por um quarto dos países, enquanto 19% ficaram próximos. As mulheres representam dois terços dos 781 milhões de adultos analfabetos.

Assinalando que o financiamento continua a ser o principal obstáculo à expansão da educação, a UNESCO diz serem necessários mais 20 mil milhões de euros por ano para atingir os objetivos da educação para todos até 2030.

O relatório recomenda que os governos consagrem 15 a 20% dos orçamentos nacionais à educação e que os doadores multipliquem a sua ajuda por quatro.

Lusa