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Primeiro-ministro turco diz que declarações do papa sobre genocídio são "parciais" e "inapropriadas"

O primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoglu, considerou hoje "parciais" e "inapropriadas" as declarações do papa sobre o genocídio arménio. 

© Eduardo Munoz / Reuters

"Abordar estes acontecimentos dolorosos de forma parcial é inapropriado por parte do papa e da autoridade que representa", declarou Davutoglu em declarações na televisão, quando a Turquia anunciou ter convocado para consultas o seu embaixador no Vaticano.

A decisão de Ancara constituiu um novo passo no incidente diplomático suscitado depois de o papa ter usado a palavra "genocídio" para descrever o massacre dos arménios na I Guerra Mundial.

"O nosso embaixador no Vaticano, Mehmet Pacaci, foi chamado à Turquia para consultas", informou em comunicado o Ministério dos Negócios Estrangeiros turco, horas depois de ter anunciado que chamou o representante do Vaticano em Ancara para explicar as palavras do papa.

Repetindo declarações feitas também hoje pelo chefe da diplomacia turca, Mevlut Cavusoglu, o comunicado refere que as palavras do papa Francisco são "incompatíveis com os factos legais e históricos".

O texto acusa o papa de ter uma "visão seletiva" da I Guerra Mundial e de "ignorar as atrocidades sofridas pelos povos turco e muçulmano que perderam a vida" para beneficiar cristãos e arménios.

As palavras do papa, prossegue o texto, são "um desvio grave" da mensagem de paz e reconciliação que levou à Turquia na visita que fez ao país em novembro de 2014.

O papa Francisco usou hoje a palavra "genocídio" para descrever o massacre dos arménios pelas forças do Império Otomano durante a I Guerra Mundial.

"No século passado, a nossa família humana passou por três tragédias sem precedentes. A primeira, que foi largamente considerada como 'o primeiro genocídio do século XX', atingiu o povo arménio", disse Francisco numa missa na basílica de São Pedro, em Roma.

"As duas outras [tragédias] foram praticadas pelo nazismo e pelo estalinismo. E mais recentemente outros extermínios de massa, como no Camboja, Ruanda, Burundi ou Bósnia", acrescentou, citado pelas agências internacionais de notícias.

As declarações do papa foram feitas na abertura de uma missa em memória dos arménios massacrados entre 1915 e 1917, concelebrada com o patriarca arménio e na presença do Presidente da Arménia, Serzh Sargsyan.

Segundo a agência France Presse, o papa João Paulo II usou o termo "genocídio" num documento assinado em 2000 com o patriarca arménio, mas esta é a primeira vez que um papa o utiliza ao falar publicamente.

Milhares de arménios foram deportados e massacrados pelo Império Otomano durante a I Guerra Mundial, factos reconhecidos como genocídio por mais de 20 países mas nunca pela Turquia.

Segundo a Arménia, 1,5 milhões de pessoas foram perseguidas e mortas, enquanto, para a Turquia, o número de arménios mortos não supera os 500.000 e enquadra-se nos combates que se sucederam ao levantamento das populações arménias contra os otomanos.

Lusa
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