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Turquia convoca núncio para explicar uso da palavra genocídio pelo Papa

A Turquia convocou hoje o representante do Vaticano em Ankara para explicar a utilização pelo papa Francisco da palavra genocídio em relação ao massacre de arménios pelas forças otomanas há 100 anos, noticiou a televisão turca.

© Tony Gentile / Reuters

O núncio apostólico em Ancara, representante diplomático do Vaticano, foi chamado ao Ministério dos Negócios Estrangeiros turco, noticiou a CNN-Turk, sem dar pormenores.

O papa Francisco usou hoje a palavra genocídio para descrever o massacre dos arménios pelas forças do Império Otomano durante a I Guerra Mundial.

"No século passado, a nossa família humana passou por três tragédias sem precedentes. A primeira, que foi largamente considerada como 'o primeiro genocídio do século XX', atingiu o povo arménio", disse Francisco numa missa na basílica de São Pedro, em Roma.

"As duas outras [tragédias humanas] foram praticadas pelo nazismo e pelo estalinismo. E, mais recentemente, outros extermínios de massa, como no Camboja, Ruanda, Burundi ou Bósnia", acrescentou, citado pelas agências internacionais de notícias.

As declarações do papa foram feitas na abertura de uma missa em memória dos arménios massacrados entre 1915 e 1917, concelebrada com o patriarca arménio e na presença do presidente da Arménia, Serzh Sargsyan.

Segundo a agência France Presse, o papa João Paulo II usou o termo "genocídio" num documento assinado em 2000 com o patriarca arménio, mas esta é a primeira vez que um papa o utiliza ao falar publicamente.

Milhares de arménios foram deportados e massacrados pelo império otomano durante a I Guerra Mundial, factos reconhecidos como genocídio por mais de 20 países mas nunca pela Turquia.

Segundo a Arménia, 1,5 milhões de pessoas foram perseguidas e mortas, enquanto, para a Turquia, o número de arménios mortos não supera os 500.000 e enquadra-se nos combates que se sucederam ao levantamento das populações arménias contra os otomanos.


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