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"O meu pai foi o bandido mais perigoso do século passado"

Juan Pablo Escobar, filho do mais famoso narcotraficante sul-americano, disse hoje à Lusa que escreveu a biografia sobre o pai por respeito às vítimas do Cartel de Medellin.

© Jose Gomez / Reuters

"Como bandido, o meu pai foi o bandido mais perigoso do século passado, mas eu não o posso renegar e não posso ser o juiz da vida dele porque eu sou parte dele, apesar de ser consciente de todos os atos que cometeu", disse à Lusa Juan Pablo Escobar, 38 anos, que se encontra em Lisboa para o lançamento do livro "Pablo Escobar -- O meu pai".

Segundo o filho do antigo líder do Cartel de Medellin, na Colômbia, que morreu em 1996 com 44 anos de idade, o principal motivo do livro foi dar às vítimas o "direito à verdade".

"Este livro deixa pior o meu pai do que já estava porque conto coisas que ninguém sabia. Não o escrevi para o justificar, mas sim para deixar clara a história sobre os acontecimentos depois de todas as versões que se contaram. Eu sou o último que falou. Esperei 21 anos para falar. Deixei primeiro que todos contassem as suas mentiras", disse.

Juan Pablo Escobar recordou que muitas vezes ocorreram conflitos entre pai e filho, mas que apesar de tudo o narcotraficante sempre lhe deu "espaço" para o criticar sobre a violência.

"Eu sabia que a violência só o ia afastar de uma solução, mas é preciso entender o contexto político, social, económico e mesmo de direitos humanos em que os colombianos viviam naquela altura. Era muito difícil distinguir quem era pior: se os bandidos ou o Estado. Parecia uma corrida para ver quem era o mais violento", recordou o filho de Pablo Escobar.

Lembrando que se tratava de "uma guerra", em que "era difícil determinar quem atirou a primeira pedra", referiu que o pai "escolheu ser um bandido e isso tem as suas consequências" e lamentou que Pablo Escobar não tenha sido capaz aproveitar a oportunidade para se redimir quando foi preso, em circunstâncias singulares que ele próprio determinou.

"O que eu mais lamento é que depois do que conseguiu não tenha respeitado o que conseguiu - porque não conheço nenhum bandido na história da humanidade que tenha conseguido construir a sua própria prisão, desenhar a Constituição do seu país e modificar a lei para seu próprio benefício para se poder entregar à justiça", disse, recordando o processo invulgar em que Pablo Escobar foi detido na Colômbia.

No livro, Juan Escobar, que vive exilado na Argentina, revela que o pai não foi abatido como "conta a versão oficial", mas que se suicidou com um tiro na cabeça durante um confronto com as autoridades em dezembro de 1993 e referiu que ainda pensou em vingar a morte do pai, mas desistiu.

"Não era o caminho. Porque quando comecei a pensar na vingança dei-me conta de que estava a transformar-me no homem que eu mais criticava que era o meu próprio pai", confessou o filho do narcotraficante colombiano.

Sobre a biografia, admitiu que as informações podem ter aberto algumas feridas, mas não foram contrariadas por ninguém, acrescentando que pode responder "por cada palavra" do livro.

"Muitos não estão contentes mas o livro já está impresso, já me podem matar", concluiu.

Entre outros factos, o livro revela a tentativa de rapto de uma filha do cantor espanhol Julio Iglesias, em Miami, os contactos com as autoridades antidroga dos Estados Unidos (DEA), as relações políticas na Colômbia e até o momento em que a espada de Simon Bolivar, o libertador das Américas, lhe veio parar às mãos.

O livro "Pablo Escobar -- O meu pai -- A radiografia íntima do narcotraficante mais famoso de todos os tempos", (Editora Planeta, 411 páginas) inclui uma série de fotografias inéditas e foi lançado este mês em Portugal.

Lusa

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