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Empresário dos EUA corta salário para pagar um mínimo de 70 mil dólares aos trabalhadores

Um empresário norte-americano decidiu dividir o seu ordenado por 14, para com a poupança aumentar para 70 mil dólares (66 mil euros) o salário mínimo anual na sua empresa, o que representa 5800 dólares mensais.

O aumento salarial vai ser feito de forma progressiva ao longo dos próximos três anos. (Arquivo)

O aumento salarial vai ser feito de forma progressiva ao longo dos próximos três anos. (Arquivo)

Matt Rourke / AP

Dan Price, de 30 anos, que fundou Gravity Payments, uma empresa de serviços de pagamentos, anunciou a notícia aos seus 120 empregados na segunda-feira, suscitando um imenso aplauso. Um vídeo da cena está disponível na rede social YouTube e no sítio na Internet do diário New York Times.

"O que quero anunciar hoje é que vamos aplicar, com efeito imediato, uma política salarial instituindo um salário mínimo de 70 mil dólares para todos os que trabalham aqui", declarou Price, de cabelo comprido e com as mangas arregaçadas. 

O aumento salarial vai ser feito de forma progressiva ao longo dos próximos três anos. 

No ano em curso, os baixos salários na empresa tecnológica, que se situam em torno dos 48 mil dólares, vão superar os 50 mil dólares, para se estabelecerem nos 70 mil em dezembro de 2017, especificou Price. 

Esta medida tem um preço: Price tenciona financiá-la dividindo por 14 a sua própria remuneração, que vai passar assim de cerca de um milhão de dólares para 70 mil dólares. 

Vai também recorrer aos cerca de dois milhões de dólares de lucros registados em 2014 pela empresa, que não é cotada na bolsa. 

"A minha remuneração era de facto muito elevada. Decidi reduzi-la para o nível do salário mínimo e aí vai ficar até que consigamos os níveis de lucros que tínhamos antes desta mudança de política salarial", adiantou Price.

Nascido em meio rural, no Estado do Idaho, no noroeste dos EUA, no seio de uma família com cinco irmãos, Dan Price não demonstra um gosto particular pelo luxo, ao conduzir um velho Audi, com 12 anos, e viver num apartamento com três divisões, em Seattle. 

A sua iniciativa, que fez os títulos de numeroso meios de informação norte-americanos, surgiu em pleno debate sobre as desigualdades salariais entre empregados e patrões nos EUA. 

Candidata à Presidência, Hillary Clinton denunciou hoje a débil fiscalidade que incide sobre os dirigentes dos fundos de investimentos, cujos salários atingiram níveis inéditos em 2014.

Por exemplo, Stephen Schwarzman, de 68 anos e patrão do fundo de investimento Blackstone, ganhou 690 milhões de dólares em 2014, ou seja, cerca de dois milhões por dia. 
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