sicnot

Perfil

Mundo

Mia Couto diz que xenofobia na África do Sul é uma agressão aos próprios sul-africanos

O escritor moçambicano Mia Couto considera a onda de violência xenófoba na África do Sul uma agressão aos próprios sul-africanos, defendendo que o fenómeno "mancha" o país e ameaça os sentimentos de gratidão e solidariedade entre africanos. 

(SIC/ Arquivo)

(SIC/ Arquivo)

"A xenofobia que se manifesta hoje na África do Sul não é apenas um atentado bárbaro e cobarde contra os 'outros'. É uma agressão contra a própria África do Sul. É um atentado contra a 'Rainbow Nation' que os sul-africanos orgulhosamente proclamaram há uma dezena de anos. Alguns sul-africanos estão a manchar o nome da sua pátria", declara Mia Couto, numa carta aberta ao Presidente sul-africano, Jacob Zuma, publicada na sexta-feira na página da internet da Fundação Fernando Leite Couto, presidida pelo escritor moçambicano.

As últimas atualizações das autoridades moçambicanas indicam que 107 moçambicanos, incluindo 21 crianças, regressaram a Moçambique na madrugada de sexta-feira e foram instalados num campo em Boane, província de Maputo, repatriados da África do Sul devido à onda de violência xenófoba no país.

Para Mia Couto, além de "manchar" os sul-africanos, a xenofobia na África do Sul, especificamente contra moçambicanos, demostra um sentimento de ingratidão, um ato "bárbaro" contra os cidadãos de um país que ajudou a África do Sul na luta contra o regime do apartheid e na consolidação da sua economia, tendo-se tornado uma das maiores economias do continente africano.

"Nós não a esquecemos. Talvez mais do que qualquer outra nação vizinha, Moçambique pagou caro esse apoio que demos à libertação da África do Sul. A frágil economia moçambicana foi golpeada. O nosso território foi invadido e bombardeado. Morreram moçambicanos em defesa dos seus irmãos do outro lado da fronteira", refere a carta, lembrando que Jacob Zuma viveu refugiado por um longo período em Maputo, durante a luta do Congresso Nacional Africano (ANC, sigle em inglês) contra o regime do apartheid, que terminou em 1994. 

O escritor moçambicano apela aos Governo sul-africano a redobrar esforços para controlar a situação, mobilizando o exército, caso necessário, como forma de evitar que mais pessoas morram vítimas dos ataques xenófobos e que a situação se alastre para outras regiões.

"Ponha imediatamente cobro a esta situação que é um fogo que se pode alastrar a toda a região, com sentimentos de vingança a serem criados para além das suas fronteiras. São precisas medidas duras, imediatas e totais que podem incluir a mobilização de forças do exército", escreve Mia Couto, reiterando que é a própria África do Sul que está a ser atacada.

Desde que começou a onde de violência xenófoba contra estrangeiros africanos na África do Sul, várias manifestações de populares em retaliação ao fenómeno foram registadas em Moçambique.

Na sexta-feira, um grupo de moçambicanos, maioritariamente trabalhadores da construção civil, cortou a principal estrada entre Moçambique e a África do Sul durante cerca de 30 minutos, em retaliação contra a xenofobia.

Na quinta-feira, centenas de moçambicanos impediram, sem violência, a entrada de cidadãos sul-africanos nas minas de carvão da Vale em Tete, centro de Moçambique, também em retaliação à onda de xenofobia na África do sul.

Hoje, nas primeiras horas da manhã, mais de cem pessoas manifestaram-se na capital moçambicana contra a onda de violência xenófoba na África do Sul, numa marcha que teve como destino a Embaixada sul-africana em Maputo.

 
Lusa
  • Será que lavar em lavandarias self-service compensa?
    8:21
  • "Não se pode voltar atrás, o povo de Deus confirmou a necessidade deste Papa"
    3:15
  • Dois em cada três portugueses vivem vidas sedentárias

    País

    Com menos de hora e meia de exercício semanal, mais de dois terços dos portugueses vivem vidas sedentárias. E a maioria desvaloriza a importância da atividade física, segundo um inquérito divulgado esta quinta-feira pela Fundação Portuguesa de Cardiologia.

  • Depois de dar a volta (de bicicleta de Lisboa a Setúbal)

    País

    Missão cumprida. A SIC foi dar uma volta de bicicleta, acompanhando a primeira etapa de uma iniciativa que pretende impulsionar o uso dos velocípedes no país. Ao longo desta quarta-feira, publicámos vários vídeos em direto na página de Facebook da SIC Notícias, que aqui reunimos, em jeito de balanço.

    Ricardo Rosa

  • Primeira dama chinesa defende avanços na igualdade

    Mundo

    A primeira dama chinesa, Peng Liyuan, defendeu os avanços da China em matéria de igualdade dos géneros. Uma rara entrevista, difundida numa altura em que feministas chinesas asseguram serem controladas pela polícia face às suas campanhas.