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Papa Francisco condena ressurgimento do antissemitismo na Europa

O papa Francisco condenou hoje o antissemitismo na Europa, tendência que considerou preocupante, e defendeu, perante rabinos europeus, "o diálogo sistemático" iniciado há 50 anos entre cristãos e judeus. 

Andrew Medichini

"As tendências antissemitas e certos atos de ódio e de violência são preocupantes na Europa. Os cristãos não podem deixar de ser firmes na condenação de qualquer forma de antissemitismo", afirmou.  

O papa argentino recebia em audiência os responsáveis da Confederação dos Rabinos Europeus (CRE), uma estreia desde a fundação desta organização, em 1956. 

Numa referência ao documento do Concílio Vaticano II "Nostra Aetate", que em 1965 tinha expresso o respeito por outras religiões, incluindo o Judaísmo, em rutura com séculos de antijudaísmo católico, Francisco sublinhou que este diálogo progredia "há quase meio século de forma sistemática". 

"Judeus e cristãos têm a responsabilidade de contribuir para manter vivo o sentido religioso dos homens e da nossa sociedade, testemunhando a santidade da vida humana", disse. 

O papa homenageou o rabino de Roma Elio Toaff, "homem de paz e de diálogo", que morreu no domingo em Roma. Toaff desempenhou um papel essencial na aproximação judaico-cristã ao receber, na sua sinagoga, o papa João Paulo II em 1986. Os dois homens desenvolveram uma amizade depois desta visita histórica. 

O grande rabino de Moscovo Pinchas Goldshmidt, presidente do CRE, sublinhou que os judeus são atualmente na Europa as "vítimas colaterais" de uma ofensiva antimuçulmana instrumentalizada pelos meios de extrema-direita.

Os judeus são "como um homem de pé sobre carris, entre dois comboios que se deslocam a grande velocidade, um em direção ao outro, e que não sabe qual o comboio que o vai atingir em primeiro", disse, recorrendo a uma metáfora. 

"De um lado as nossas sinagogas, as nossas escolas, os nossos museus, os nossos idosos e os nossos jovens são atacados e mortos por imigrantes radicalizados. É um comboio. O outro comboio é a reação da velha Europa secularizada de radicalismo muçulmano. Em vez de combater os radicais muçulmanos, a velha Europa ripostou por um ataque de grande amplitude contra o Islão, proibindo a construção de minaretes, o uso do véu para as mulheres, procurando proibir a carne hallal (preparada de acordo com a lei islâmica) e a circuncisão", afirmou o rabino de Moscovo. 

"Os judeus europeus são as vítimas colaterais desta ofensiva. O exemplo mais gritante é quando Marine Le Pen, líder da Frente Nacional, aprovou uma proibição do uso em público de elementos religiosos, incluindo o kippa (barrete judeu)", denunciou. 

A CRE é uma das principais vozes do Judaísmo na Europa e agrupa cerca de 600 rabinos ortodoxos em perto de 40 países. 

Lusa

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