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Primeiro-ministro de Marrocos apela para justiça entre as duas margens do Mediterrâneo

O primeiro-ministro de Marrocos, Abdelilah Benkirane, disse hoje em Lisboa ser necessária mais justiça entre as duas margens do Mediterrâneo para abordar o problema da imigração ilegal.    

ANT\303\223NIO COTRIM

"Portugal e os países da Europa que possuem uma importância decisiva no mundo deveriam sentir que a abordagem securitária não é suficiente. E que para nos sentirmos um pouco mais tranquilos amanhã é preciso que exista mais justiça entre as duas margens do Mediterrâneo", considerou Abdelilah Benkirane em conferência de imprensa conjunta com o chefe do governo português, Pedro Passos Coelho, no final da XII cimeira luso-marroquina.  

O chefe do governo marroquino referia-se ao rescaldo de mais um naufrágio de uma embarcação durante o fim de semana, que provocou pelo menos 600 mortos.    

"Em certa medida somos um mesmo continente", prosseguiu. "Consideramos razoável dizer que se existem vantagens de prosperidade do outro lado, todos teremos menos dificuldades em conter os fluxos migratórios. Os nossos irmãos dos países africanos devem encontrar nos seus países a paz, e a estabilidade, o conforto. Devemos todos contribuir para que os seus países sejam mais acolhedores, mais seguros, mais prósperos", adiantou. 

Abdelilah Benkirane frisou ainda que a necessidade de uma nova abordagem face à questão da imigração ilegal, um dos temas dominantes das conversações, "é também um bom investimento para os europeus", e sugeriu uma nova abordagem face aos países africanos da orla mediterrânica.  

"Não deve ser apenas uma questão de garantir lucros e de cada um se barricar na sua casa", afirmou.  

O chefe do governo marroquino não hesitou em qualificar como "um crime" a morte de centenas de pessoas no mar que separa os dois continentes, e alertou para a urgência de terminar esta situação.  

"Não sei como podemos dormir tranquilamente se sentirmos que existe alguma responsabilidade na tragédia que atinge estas pessoas e estas mortes atrozes", observou.  

O primeiro-ministro marroquino recordou ainda que o seu país "tem feito muito" para garantir a segurança das fronteiras do seu país com a Europa, também numa referência aos enclaves espanhóis de Ceuta e Melilla, referiu-se aos esforços e ao investimento dos sucessivos governos, e lamentou que seja uma iniciativa que Rabat assume praticamente só.  

Nesse sentido, sugeriu que a Europa poderia reservar "uma pequena parte" do seu PIB para o desenvolvimento dos países africanos. 

"Se as pessoas perceberem que no seu país podem encontrar segurança, estabilidade, trabalho, mesmo com pouco, preferem ficar em sua casa. Essa é a verdadeira solução (...) a melhor forma de nos defendermos é termos mais justiça", disse o chefe do governo marroquino. 

A declaração conjunta da XXII cimeira também reflete estas preocupações, ao sugerir o "reforço dos dispositivos de concertação entre as diplomacias dos dois países", a revisão da política europeia de vizinhança, os processos euro-mediterrânicos ou o diálogo do Mediterrâneo ocidental (5+5). 

O reforço das relações bilaterais, em particular no domínio económico, a cooperação nas áreas da saúde, energia, ambiente e segurança interna foram outros temas abordados pelas duas delegações, que se fizeram representar por diversos membros dos dois governos. 

Ainda numa referência à situação na Líbia, Abdelilah Benkirane disse estar convencido que a situação vai evoluir de forma positiva, recordou o "diálogo líbio" que decorre em Marrocos sob a égide da ONU, que poderá "dar frutos" para a nação líbia. 

"No final, esta região vai caminhar no sentido da estabilidade, da cooperação, da paz, e toda a região poderá ficar pacificada no futuro", assinalou.

Lusa
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