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Papa Francisco visita Cuba em setembro

O papa Francisco visitará Cuba durante a próxima viagem aos Estados Unidos, prevista para finais de setembro, anunciou hoje o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi. 

Gregorio Borgia

Numa breve declaração, Lombardi explicou que a viagem deve-se ao convite das autoridades civis e dos bispos cubanos, sendo a primeira etapa da deslocação que levará Francisco aos Estados Unidos, nomeadamente a Washington, Nova Iorque e Filadélfia. 

A visita de Francisco a Cuba estava a ser avaliada, na sequência do trabalho da diplomacia vaticana na aproximação histórica entre Havana e Washington, de acordo com o serviço de imprensa do Vaticano. 

O secretário de Estado do Vaticano, o cardeal Pietro Parolin, participou na passada VII cimeira das Américas, no Panamá, à qual assistiram também os presidentes de Cuba, Raul Castro, e dos Estados Unidos, Barack Obama.

A partir de hoje e até 28 de abril, o prefeito da Congregação para o Clero, o cardeal italiano Beniamino Stella, vai estar em Cuba. Stella foi núncio papal na ilha de 1993 a 1999. 

Cuba e o Vaticano celebram este ano o 80.º aniversário do estabelecimento de relações diplomáticas. Em março de 2012, Bento XVI visitou a ilha, tal como João Paulo II tinha feito 14 anos antes.

Depois de Cuba, o papa vai reunir-se na Casa Branca com Obama, a 23 de setembro, e discursar na assembleia-geral da ONU, em Nova Iorque. 

A visita termina em Filadélfia, onde Jorge Bergoglio participa no Encontro Mundial das Famílias, organizado pela Igreja Católica. 

Na terça-feira, Francisco aceitou a demissão do bispo de Kansas City (Missouri), Robert Finn, de 62 anos, condenado nos Estados Unidos por não ter denunciado um padre pedófilo, indicou o Vaticano. 

Esta medida era há muito reclamada pelas associações de antigas vítimas de padres nos Estados Unidos, como a rede SNAP. 

É provável que esta demissão tenha sido exigida pelo Vaticano, em conformidade com as orientações de "tolerância zero" definidas por Francisco, relativamente aos escândalos na Igreja Católica. 

O Vaticano está a preparar medidas jurídicas sobre a questão da "responsabilidade" dos superiores que deixam padres pedófilos atuar, ou que os protegem. 

Este dossier da "responsabilização" foi debatido, em meados deste mês, na presença do papa pelo Conselho de nove Cardeais ("C9"), que aconselha Francisco. O "C9" reconheceu que as regras "não eram suficientemente claras para resolver este tipo de problemas" e pediu novos procedimentos, que vão ser elaborados. 

Lusa