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Primeiro-ministro japonês expressa "remorsos" por Segunda Guerra Mundial

 O primeiro-ministro japonês expressou hoje os "profundos remorsos" do Japão pelas agressões do país durante a Segunda Guerra Mundial, por ocasião de uma cimeira Ásia-África em Jacarta, sem apresentar um pedido de desculpas.

© Beawiharta Beawiharta / Reute

Por ocasião do 60.º aniversário da conferência Ásia-África na Indonésia, Shinzo Abe declarou: "O Japão, com profundos remorsos relativamente à última guerra, prometeu manter-se uma nação que vai cumprir sempre estes mesmos princípios [da paz], independentemente das circunstâncias". 

A conferência Ásia-África deu origem ao Movimento dos países Não Alinhados, surgido depois de formados os dois grandes blocos da Guerra-Fria, liderados pelos Estados Unidos e a antiga União Soviética (URSS).  

O discurso de Abe, pronunciado na abertura da cimeira, na qual participa o presidente da China, Xi Jinping, era muito aguardado, por poder antecipar os termos da declaração que o primeiro-ministro japonês deverá fazer dentro de algumas semanas, na comemoração do 70.º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial. 

Esta declaração, em termos menos fortes, contrasta com a do primeiro-ministro Junichiro Koizumi na cimeira de 2005, e na qual pediu "sinceras desculpas" pelo "passado colonista e agressões" japonesas, retomando os termos da declaração histórica de 1995 feita pelo então chefe do Governo nipónico, Tomiichi Murayama. 

O Ministério dos Negócios Estrangeiros sul-coreano "lamentou profundamente" a decisão de Abe de retirar duas expressões usadas por Koizumi. 

Por ocasião do 70.º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial, observadores afirmaram esperar que Abe se refira diretamente ao "passado colonista e agressões" do país, manifeste remorsos e peça desculpas, como fizeram Murayama e Koizumi. 

Numa entrevista transmitida recentemente pela televisão, Abe deu a entender que não vai voltar a pedir desculpas formais na declaração. 

Ainda esta semana, Abe enviou uma oferenda ao polémico santuário de Yasukuni, em Tóquio, onde se encontram os restos mortais de 2,5 milhões de soldados, incluindo 14 criminosos de guerra, condenados pelos Aliados depois da Segunda Guerra Mundial. Hoje, mais de 100 deputados japoneses visitaram Yasukuni.

Apesar da declaração de Abe, as relações entre o primeiro-ministro japonês e o Presidente chinês parecem estar a melhorar e os dois trocaram um aperto de mãos no início da cimeira. 

O ministro da presidência, Yoshihide Suga, disse "ter recebido informações de que está a ser preparado um encontro entre os dois líderes, mas ainda não foi decidido quando e onde realizar esse encontro". 

A China e a Coreia do Sul consideram que o Japão ainda não mostrou "um sincero arrependimento" dos crimes que cometeu na região da Ásia-Pacífico. 

As relações do Japão com os vizinhos continuam a ser marcadas pela lembrança das atrocidades cometidas pelas tropas imperiais nipónicas durante a colonização da península coreana (1910-1945) e da ocupação parcial da China (1931-1945). 

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