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Situação no Iémen considerada "catastrófica" pela Cruz Vermelha

A situação humanitária é "catastrófica" no Iémen, onde os aviões de combate sauditas retomaram os bombardeamentos após uma breve trégua, alertou esta quarta-feira em Genebra o Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICR).

No terreno, a rebelião xiita exigiu o fim total dos raides aéreos da coligação liderada pela Arábia Saudita, e o início de conversações patrocinadas pela ONU, na primeira reação ao anúncio por Riade do fim da "primeira fase" da intervenção no país.

No terreno, a rebelião xiita exigiu o fim total dos raides aéreos da coligação liderada pela Arábia Saudita, e o início de conversações patrocinadas pela ONU, na primeira reação ao anúncio por Riade do fim da "primeira fase" da intervenção no país.

© Stringer . / Reuters

Robert Mardini, diretor das operações do CICR para o Médio Oriente, declarou que os recursos alimentares começam a escassear e que os hospitais e centros médicos já não podem funcionar devido à carência de medicamentos.  

"A situação humanitária é de facto catastrófica", declarou Mardini pouco após o seu regresso de Sanaa, a capital iemenita. 

"Há nove dias que Sanaa não tem eletricidade", disse, acrescentando que a situação ainda é mais grave no resto do país. 

"O país apenas está dependente das suas reservas, e o abastecimento de combustíveis está perto do zero", acrescentou. Referiu-se ainda a uma "penúria alimentar" e a um aumento de 20% dos preços da alimentação desde o início dos bombardeamentos sauditas, há um mês. 

"A resiliência dos iemenitas atingiu um ponto de rutura", disse. "Diariamente, pelo menos 50 pessoas são mortas e 500 feridas, e o número de baixas civis aumenta de forma dramática", assinalou. 

Mardini indicou ainda que a equipa do CIRC em Taez, terceira cidade do país, permaneceu refugiada três dias num local seguro para escapar aos bombardeamentos. 

O CICR promove negociações com as partes em conflito para assegurar o respeito pelo direito humanitário internacional e a distribuição de ajuda de emergência. 

"O conflito no Iémen necessita de uma solução política", disse. 

O CICR espera distribuir nos próximos três meses ajuda alimentar a 20 mil famílias entre as mais vulneráveis. 

A organização, com sede em Genebra, já emitiu um apelo para uma nova recolha de fundos de 15 milhões de francos suíços (14,5 milhões de euros), que se devem juntar aos 28,9 milhões de francos suíços destinados ao Iémen em 2015. 

No terreno, a rebelião xiita exigiu hoje o fim total dos raides aéreos da coligação liderada pela Arábia Saudita, e o início de conversações patrocinadas pela ONU, na primeira reação ao anúncio por Riade do fim da "primeira fase" da intervenção no país. 

"Após o fim total da agressão contra o Iémen e o fim do bloqueio [aéreo e marítimo], exigiremos o reinício do diálogo político na fase em que foi interrompido (...) sob o patrocínio das Nações Unidas", referiu em comunicado Mohammed Abdelsalam, porta-voz dos rebeldes 'huthis'. 
Lusa
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