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"Europa humanitária não está retratada nas medidas que foram tomadas"

O Conselho Português para os Refugiados (CPR) considerou hoje que a Europa humanitária "não está retratada" nas medidas tomadas na quinta-feira pela União Europeia para evitar a "situação trágica" da morte de imigrantes no Mediterrâneo.

O protesto teve lugar perto das sedes da Comissão Europeia e do Conselho Europeu, sendo que neste edifício estão reunidos os chefes de Estado e de Governo da UE numa cimeira extraordinária para debater a questão dos fluxos de imigrantes no Mediterrâneo e os meios para fazer face a este drama.

O protesto teve lugar perto das sedes da Comissão Europeia e do Conselho Europeu, sendo que neste edifício estão reunidos os chefes de Estado e de Governo da UE numa cimeira extraordinária para debater a questão dos fluxos de imigrantes no Mediterrâneo e os meios para fazer face a este drama.

JULIEN WARNAND / Lusa

"A Europa demonstrou uma preocupação de reforço militar das suas fronteiras, mas a Europa dos direitos humanos, a Europa humanitária não está, no nosso entender, retratada nas medidas que foram tomadas", disse, em declarações à agência Lusa, a presidente do CPR Teresa Tito Morais.

De acordo com a responsável, as medidas que os líderes da União Europeia aprovaram na quinta-feira, em Bruxelas, visando os salvamentos dos imigrantes ilegais ainda em terra, de forma a evitar as mortes no Mediterrâneo, são "positivas e importantes", mas "não são muito assertivas".

"Há uma manifestação de vontade em reforçar os salvamentos em terra e triplicar todos os equipamentos que estavam a ser utilizados, no âmbito do Frontex, na operação 'Triton'. Parece-nos positivo, mas [decisões] pouco assertivas, porque pensamos que o contrabando e estas máfias, que atuam e se servem das vítimas que querem entrar na Europa, são um sintoma e não a causa destas viagens tão perigosas", sublinhou Teresa Tito Morais.

Na quinta-feira, os líderes da União Europeia reunidos no Conselho Europeu decidiram combater o tráfico de imigrantes ilegais ainda em terra, destruindo os barcos antes que os contrabandistas os possam utilizar.

   Para a responsável, a fuga dos refugiados deve-se sobretudo "às guerras na Síria, à ditadura na Eritreia e à insegurança na Líbia", o que faz com que as pessoas "em desespero" para fugir da guerra e opressão, apanhem os barcos e sirvam-se destas redes.

Teresa Tito Morais sublinhou a importância do combate às redes, mas alertou para a necessidade de contemplar igualmente o reforço dos canais legais e seguros para os refugiados chegaram à Europa, além do reforço dos programas de reinstalação, vistos humanitários e reagrupamento familiar.

"Há ainda muito a fazer", reiterou a Teresa Tito Morais.

   No Conselho Europeu, marcado para debater a "situação trágica no Mediterrâneo", que já provocou a morte de centenas de migrantes, foi decidido que a Alta Representante para a Política Externa, Federica Mogherini, irá "preparar ações para capturar e destruir as embarcações dos traficantes antes que estas possam ser usadas, em linha com o direito internacional e respeitando os direitos humanos".

Foi ainda decidido que será aumentada a cooperação contra redes de contrabando, através da Europol e colocando agentes de imigração em países terceiros, além da UE ir triplicar as verbas e "aumentar significativamente" o apoio logístico da operação 'Triton' de patrulha e salvamento no Mediterrâneo, tendo os Estados-membros assumido o compromisso de reforçar o número de navios, helicópteros e peritos.



Lusa

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