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ONU defende participação do Irão em novas conversações sobre a Síria

 O enviado especial da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, defendeu, esta quinta-feira, a participação do Irão nas novas conversações, a iniciar em maio, com vista a uma solução pacífica para o conflito na Síria.

© Darren Whiteside / Reuters

"O Irão é um Estado-membro da ONU, é um grande ator na região e tem influência na Síria", afirmou De Mistura, em conferência de imprensa, apontando que as Nações Unidas têm "o direito de convidar todos, incluindo o Irão, para o diálogo sobre a Síria"

A presença do Irão, aliado do regime do Presidente sírio Bashar al-Assad, foi sempre alvo de polémica, tendo o país sido excluído de duas conferências internacionais sobre o conflito.

O diplomata italiano, que se reuniu à porta fechada com os 15 membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas, disse esperar ter uma análise sobre os eventuais pontos de convergência entre as partes do conflito em finais de junho, embora antecipe como baixa a possibilidade de a próxima ronda de negociações entre as partes do conflito ser bem-sucedida.

O mediador da ONU para a Síria confirmou que vai realizar "consultas separadas" com as partes em maio para sondar as posições do regime sírio, da oposição e de grupos civis, no sentido de apurar se estão prontos para negociações com base no acordo de Genebra.

Ahmad Fawzi, porta-voz da ONU, informou anteriormente que a nova ronda se inicia a 04 de maio, prevendo-se que as consultas durem entre quatro e seis semanas.

De Mistura reconheceu que "as probabilidades e as condições para lançar uma transição política não são melhores do que há seis meses" e que o regime de Damasco e as forças da oposição não têm demonstrado "muita vontade de negociar".

Contudo, "a ONU permanece convencida acerca da necessidade de reavivar uma solução política", disse, de acordo com diplomatas.

Segundo o enviado especial da ONU, apesar de não haver sinais de que o processo venha a ter êxito, a comunidade internacional tem obrigação de voltar a tentar.

"Não podemos simplesmente esperar", insistiu, apontando para as graves consequências para a população que o conflito tem, um aspeto abordado também pelo Conselho de Segurança da ONU numa reunião prévia. 

A guerra na Síria já matou mais de 220 mil pessoas desde o início da revolta contra o regime de Bashar Al-Assad, em março de 2011, segundo dados divulgados na semana passada pela organização Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

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