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Primeiro Ministro japonês apresenta condolências por norte-americanos mortos na Segunda Guerra

O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, o primeiro chefe de Governo do Japão a dirigir-se ao Congresso dos Estados Unidos, apresentou hoje "eternas condolências" pelos cidadãos norte-americanos que o seu país matou durante a Segunda Guerra Mundial.

© Jonathan Ernst / Reuters

Com o objetivo de aprofundar as relações com os Estados Unidos após uma controvérsia sobre os seus pontos de vista acerca da Segunda Guerra, Shinzo Abe falou aos congressistas em inglês, destacou os fortes laços entre as duas nações nascidos dos escombros de batalhas brutais como Pearl Harbor e Iwo Jima e apresentou um sentido pedido de desculpas pelas ações do Japão.

"Em nome do Japão e do povo japonês, apresento com profundo respeito as minhas eternas condolências pelas almas de todos os norte-americanos que morreram durante a Segunda Guerra Mundial", declarou, desencadeando o aplauso dos congressistas. 

Pouco antes de chegar ao Capitólio, Abe depôs simbolicamente uma coroa de flores num memorial daquele conflito que se estima ter matado 400.000 norte-americanos. 

"As batalhas registadas no memorial vieram-me à mente, e refleti sobre os sonhos perdidos e futuros perdidos desses jovens norte-americanos", afirmou.

"A história é dura, o que está feito não pode ser desfeito. Com profundo arrependimento no coração, fiquei ali algum tempo de pé, rezando em silêncio", disse Abe.

Mas foram as ações do Japão na Ásia durante aquela guerra que ameaçaram ensombrar o seu histórico discurso: no Congresso, o primeiro-ministro nipónico viu-se confrontado com a presença de Lee Yong-Soo, de 87 anos, uma das cerca de 200.000 mulheres asiáticas submetidas a escravatura sexual pelas tropas japonesas ocupantes.

Ela foi convidada pelo congressista Mike Honda, um dos muitos que acusam Abe de minimizar qualquer papel oficial do país ou das suas Forças Armadas.

Abe expressou "profundos remorsos" pelas ações do Japão nas nações asiáticas vizinhas, mas ficou aquém de um verdadeiro pedido de desculpas exigido por muitos.

"Depois da guerra, iniciámos o nosso caminho carregando sentimentos de profundo remorso por causa da guerra", sustentou na reunião conjunta das duas câmaras do parlamento norte-americano (Senado e Câmara dos Representantes). 

"As nossas ações causaram sofrimento aos povos dos países asiáticos. Não devemos ignorar isso", defendeu.

Isso enfureceu alguns no Congresso, incluindo Honda, que considerou "chocante e vergonhoso" que Abe "continue a iludir a responsabilidade do seu Governo pelas sistemáticas atrocidades perpetradas pelo Exército Imperial Japonês".

Os mesmos representantes deverão dar ao Presidente, Barack Obama, autoridade para assinar um vasto acordo de comércio no Pacífico que inclui o Japão, os Estados Unidos e outros 10 países.

O chefe do executivo japonês apostou nesse pacto, que conta com a oposição da esquerda do espetro político.

O acordo, que Abre considerou "mais do que uma ferramenta económica", vai "muito além de simples vantagens económicas. É também relativo à nossa segurança. A longo prazo, o seu valor estratégico é enorme. Nunca devemos esquecer-nos disso", referiu.

"Podemos espalhar os nossos valores comuns por todo o mundo e fazer com que criem raízes: o Estado de Direito, a democracia e a liberdade", disse o primeiro-ministro nipónico.


Lusa
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