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Brasileiro executado na Indonésia "não estava ciente" da iminência da morte

O brasileiro que foi executado na Indonésia, um homem que sofria de doenças mentais, não estava consciente do que ia acontecer no momento em que enfrentou o pelotão de fuzilamento, segundo o seu advogado e um padre.

O brasileiro Rodrigo Gularte, 42 anos, foi condenado à morte na Indonésia (EFE/ Arquivo)

O brasileiro Rodrigo Gularte, 42 anos, foi condenado à morte na Indonésia (EFE/ Arquivo)

Efe

Condenado à morte por tráfico de droga, Rodrigo Gularte, de 42 anos, foi executado juntamente com outros seis estrangeiros na quarta-feira, apesar dos apelos da sua família, que indicou que sofria de esquizofrenia paranóide.

"Tinha uma mente delirante", disse à AFP o seu advogado Ricky Gunawan, explicando que o brasileiro não foi capaz de compreender a realidade quando recebeu o aviso de que a sua execução seria dentro de 72 horas.

"Quando lhe dissemos que a condenação à morte ia ser concretizada, ele perguntou: Que condenação à morte? Eu não fui condenado à morte'", relatou.

"Não estou certo se ele compreendeu a 100% que seria executado", disse, acrescentando que Gularte estava irredutível na ideia de que a água na prisão estava envenenada. 

O advogado conta que quando perguntou a Gularte quais eram os seus últimos pedidos, o brasileiro respondeu com brincadeiras. 

"Só se ria. Perguntou-me: É como na lâmpada do Aladino, em que podemos pedir três desejos?'", declarou.

Gularte foi detido em 2004 quando tentava entrar na Indonésia com seis quilos de cocaína.

O padre irlandês Charlie Burrows, que acompanhou Gularte nos seus últimos dias, disse que o brasileiro estava confuso sobre o que se passava à medida que os guardas prisionais e a polícia o preparavam para a morte.

O padre explicou que Gularte ouvia vozes com frequência: "Toda a gente estava há dias a ser preparada e toda a gente sabia que ia haver uma execução. Mas como ele ouvia estas vozes, calculava que as vozes lhe diziam: 'Não, tudo vai correr bem', e acreditava nas vozes mais do que em qualquer pessoa".


Lusa
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