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Merkel na cerimónia dos 70 anos da libertação do campo de Dachau

Antigos deportados encontram-se hoje em Dachau (Sul da Alemanha) para uma cerimónia que assinala os 70 anos da libertação do campo nazi, que este ano tem particular relevo devido à participação da chanceler alemã, Angela Merkel.

© Michaela Rehle / Reuters

Durante estes últimos 12 meses de comemorações do fim da barbárie nazi, é a única vez que a dirigente alemã participará numa cerimónia num campo de concentração.

Devido à idade dos sobreviventes, esta será igualmente uma das últimas ocasiões onde a chanceler, em representação do governo alemão, e as testemunhas ainda vivas se encontram neste local de memória.

Angela Merkel deve falar pelas 12:00 (11:00 em Lisboa) após uma homenagem às vítimas junto a um dos crematórios do campo, localizado a 17 quilómetros a noroeste de Munique e o primeiro criado pelo regime nazi, em 1933.

A deposição de flores e uma marcha para a praça onde era feita a chamada dos prisioneiros do acampamento, onde mais de 43.000 pessoas morreram, também estão previstas.

Mais de 130 sobreviventes e os seus parentes devem voltar a atravessar o portão de ferro forjado do campo, onde está inscrito o lema nazi "Arbeit macht frei" ("O trabalho liberta").

Este portão foi roubado durante a noite, em novembro, por desconhecidos e uma cópia foi inaugurada na quinta-feira.

Funcionários do Comité Internacional de Dachau, que reúne sobreviventes, e o líder do Conselho Central dos Judeus na Alemanha, Josef Schuster, também vão participar.

Inicialmente aberto para presos políticos internos, Dachau serviu de modelo de organização para outros campos de extermínio, de Treblinka a Buchenwald.

A 29 de abril de 1945 o campo foi libertado pelos norte-americanos que descobriram então o horror indescritível da "solução final". Imagens de arquivo da época mostram os corpos empilhados e os sobreviventes abatidos, doentes e emagrecidos.

Na véspera da comemoração, Merkel ressalvou a "responsabilidade especial" da Alemanha, 70 anos após o fim do Holocausto, que viu seis milhões de judeus exterminados na maior tentativa de remoção de um povo na terra.

"Nós, os alemães, temos a responsabilidade particular de estarmos atentos, de ficarmos sensíveis e bem informados sobre o que nós perpetramos sob o nazismo", disse, na sua mensagem de vídeo semanal, Merkel, nascida em 1954, nove anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial.

Mais de 206.000 prisioneiros foram levados de trinta países para Dachau, incluindo o ex-primeiro-ministro francês Leon Blum, que era judeu.

Mais de 41 mil deles foram mortos ou morreram de exaustão, fome, frio e doenças.

As cerimónias internacionais do 70.º aniversário da abertura dos campos começaram em 27 de janeiro em Auschwitz, na Polónia.


Lusa

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