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Morreu segundo doente alvo de ensaio clínico de coração artificial em França

A segunda pessoa em França a receber um muito aguardado coração artificial de última geração morreu oito meses depois do transplante, indicou esta segunda-feira a empresa biomédica Carmat.

A Carmat, que concebeu aquilo que designa como o mais avançado coração artificial do mundo, afirmou que o doente foi hospitalizado na passada sexta-feira em "falência circulatória". (Arquivo)

A Carmat, que concebeu aquilo que designa como o mais avançado coração artificial do mundo, afirmou que o doente foi hospitalizado na passada sexta-feira em "falência circulatória". (Arquivo)

© Benoit Tessier / Reuters

O homem de 69 anos, que quis permanecer anónimo, encontrava-se doente em estado terminal quando recebeu o coração experimental, que foi considerado uma solução de longo prazo para doentes com insuficiência cardíaca em fase final.

A Carmat, que concebeu aquilo que designa como o mais avançado coração artificial do mundo, afirmou que o doente foi hospitalizado na passada sexta-feira em "falência circulatória".

Uma equipa médica identificou o problema: o coração não estava a funcionar corretamente e foi-lhe colocado um novo órgão artificial, mas o doente morreu no sábado de complicações pós-operatórias.

Os corações artificiais são usados há muitos anos como uma solução temporária para doentes com problemas cardíacos crónicos.

Contudo, a Carmat espera fornecer uma solução de longo prazo a dezenas de milhares de pessoas que padecem de doença cardíaca -- a principal causa mundial de morte -- e que não conseguem receber um transplante.

O aparelho, uma unidade autossuficiente implantada no peito do doente, é uma mistura de materiais sintéticos e tecido animal que procura imitar a forma e a função de um verdadeiro coração humano.

São utilizados no coração artificial biomateriais suaves concebidos para reduzir o risco de formação de coágulos e de rejeição pelo sistema imunitário. O aparelho é alimentado por uma fileira de baterias de lítio.

O primeiro caso do ensaio clínico da Carmat, um homem de 76 anos, terminou a 02 de março com a morte do doente, dois meses e meio após o transplante do aparelho.

O segundo doente disse numa entrevista à imprensa francesa, há um mês, que tinha "recuperado" ao ponto de participar em passeios de bicicleta.

Quase 100.000 pessoas na Europa e nos Estados Unidos precisam de um transplante cardíaco, de acordo com a Carmat, mas só cerca de 4.000 corações ficam disponíveis para transplante.

Está previsto que o ensaio clínico da empresa francesa envolva quatro pessoas. Confirmou-se que um terceiro doente recebeu o seu coração artificial na semana passada.

A primeira fase deste ensaio será considerada um êxito se os doentes sobreviverem um mês após o transplante.

A Carmat realizará então uma segunda fase de ensaios clínicos que envolverá 20 doentes.
Lusa
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