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Eleições britânicas deverão produzir impasse político e governativo

As eleições legislativas britânicas de quinta-feira deverão resultar num impasse não só na formação do governo, mas também na gestão do Reino Unido devido à dificuldade em formar uma maioria parlamentar absoluta. 

© Stefan Wermuth / Reuters

A generalidade das sondagens mais recentes apontam para um empate ou um número muito próximo de deputados entre os dois principais partidos, o Conservador e o Trabalhista. 


Os "Tories" (conservadores) de David Cameron terão prioridade na formação de governo, mas mesmo renovar a coligação com os Liberais Democratas e aliar-se ao Partido Democrático Unionista (DUP) da Irlanda do Norte deverá ser insuficiente. 


À esquerda, o líder trabalhista Ed Miliband limitou as suas opções ao afastar completamente a hipótese de uma coligação ou acordo parlamentar com o Partido Nacionalista Escocês (SNP), que se espera ser a terceira força política mais votada.


Resta a alternativa de formar um governo minoritário, que será "inconsequente", prevê Mark Boleat, membro do executivo da City of London, área que abriga o centro financeiro britânico. 


"Um governo minoritário só pode propor legislação inconsequente para não perder votos no parlamento", afirmou, durante um encontro com jornalistas estrangeiros.


Também o politólogo Tony Travers, da universidade London School of Economics, prognostica uma política cautelosa.


Um governo minoritário "não pode propor medidas impopulares ou que incomodem os outros partidos", disse à agência Lusa. 


O primeiro-ministro britânico, David Cameron, centrou a campanha para a reeleição no objetivo de "terminar o trabalho" de recuperar a economia, prometendo não aumentar impostos e investir no serviço de nacional de saúde. 


A prioridade do "Labour" (trabalhistas), garante Ed Miliband, é melhorar as condições de vida e de trabalho dos britânicos, propondo aumentar impostos aos mais ricos e impor regras sobre as rendas das habitações e os preços da energia.


Ambos os partidos têm medidas para refrear o fluxo de imigração, como bloquear o acesso à segurança social, mas a posição mais drástica é do eurocético partido para a Independência do Reino Unido (UKIP). 


O partido de Nigel Farage deseja a saída da União Europeia, o que limitaria o direito de circulação dos europeus no espaço britânico, mas o seu poder de influência será limitado - as sondagens apontam para apenas um ou dois deputados eleitos. 


Também os Liberais Democratas, impopulares devido à coligação com os Conservadores no atual governo, deverão perder o estatuto de fiel da balança pois as sondagens apontam para que o partido perda metade do número de deputados. 


A chave do poder ficará, assim, nas mãos do SNP, mas a aspiração à independência da Escócia e a política pelo fim do armamento nuclear tornam o partido indesejável como parceiro no governo.  


Se a atual coligação de Conservadores e Liberais ficar no poder, há ainda outro risco de impasse na agenda política, avisa o antigo editor da secção internacional do Financial Times, Quentin Peel. 


A promessa de David Cameron realizar um referendo à permanência da União Europeia nos próximos dois anos se for reeleito pode dividir o partido e o eleitorado. 


"O debate vai consumir o país durante os próximos dois anos, coloca o Reino Unido na defensiva e enfraquece a sua voz na União Europeia", vincou o atual investigador no instituto Chatham House. 


Lusa
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