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Concentração de dióxido de carbono na atmosfera bate recorde em março

A concentração de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera atingiu um nível recorde em março, mais um sinal evidente do aquecimento global, informou esta quarta-feira a agência norte-americana para os Oceanos e a Atmosfera (NOAA, na sigla em Inglês).

Em março, a concentração mundial média mensal do CO2 na atmosfera ultrapassou pela primeira vez o patamar das 400 partes por milhão (ppm). (Arquivo)

Em março, a concentração mundial média mensal do CO2 na atmosfera ultrapassou pela primeira vez o patamar das 400 partes por milhão (ppm). (Arquivo)

© Carlos Barria / Reuters

Em março, a concentração mundial média mensal do CO2 na atmosfera ultrapassou pela primeira vez o patamar das 400 partes por milhão (ppm). 

A concentração de CO2 na atmosfera é medida em termos de partes por milhão, isto é, quantas moléculas de CO2 existem por milhão de moléculas de ar seco, ou seja, depois de o vapor de água ter sido removido.

"Isto era uma questão de tempo", sublinhou o principal cientista encarregado do acompanhamento dos gases com efeito de estufa na NOAA, Pieter Tans.

Especificou que as estações de medida da agência já tinham sinalizado a ultrapassagem das 400 ppm no Ártico, na primavera de 2012, e no Havai, em 2013. 

Agora, "atingir o patamar das 400 ppm no conjunto do mundo é significativo", considerou o cientista. 

O aquecimento global, resultantes dos gases com efeito de estufa, vai estar no centro da conferência que a Organização das Nações Unidas está a preparar para Paris, em dezembro. 

A reunião deve conduzir a um acordo vinculativo para mais de 190 países na luta contra o aquecimento global do planeta para o limitar a dois graus centígrados em relação à era industrial. 

Até à revolução industrial do século XIX e ao recurso massivo às energias fósseis, a taxa de CO2 na atmosfera não terá ultrapassado as 300 ppm durante pelo menos 800 mil anos, segundo os estudos feitos no gelo polar. 

"Isto mostra que a combustão do carvão e do petróleo causou um aumento em mais de 120 ppm as concentrações de CO2 desde a era pré-industrial, metade da qual desde 1980", pormenorizou Pieter Tans.

A Agência Internacional de Energia anunciou em 13 de março que o aumento das emissões mundiais de CO2, provenientes da combustão de energias fósseis, tinha sido interrompido em 2014, quando estabilizou no nível de 2013. 

Mas estabilizar a taxa de emissões de gases com efeito de estufa é insuficiente para impedir as alterações climáticas, sublinhou Tans.

Segundo James Butler, um dirigente da NOAA, "seria preciso eliminar cerca de 80% das emissões de CO2 provenientes da combustão de combustíveis fósseis para realmente parar aumento de CO2 na atmosfera". 

Mas, explicou, "as concentrações de dióxido de carbono não vão começar a diminuir antes de reduções mais drásticas do CO2 e, mesmo depois, a diminuição as concentrações vai ser lenta". 

Os dados da NOAA mostram com efeito que a taxa média de aumento das concentrações do CO2 na atmosfera tem sido de 2,25 ppm por ano de 2012 a 2014, ou seja, o nível mais elevado alguma vez registado em três anos consecutivos. 

Sinal de que a tendência continua a ser de subida, o observatório da NOAA no Havai, em Mauna Loa, continuou a medir uma taxa superior a 400 ppm em abril. Este observatório, que data de 1958 e é a mais antiga estação de medida do mundo, registou uma taxa de CO2 de 401,3 ppm, quando em 2013 o limite das 400 ppm só foi superado em dois dias. 
Lusa
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