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Trabalhadores da radiotelevisão da Grécia voltam aos postos de trabalho dois anos depois

Os trabalhadores despedidos da radiotelevisão pública grega ERT entraram hoje pela primeira vez em dois anos no edifício onde trabalhavam, após a aprovação da lei que prevê a sua readmissão e a reabertura da cadeia. 

© Alkis Konstantinidis / Reuter

Convocados pela plataforma de trabalhadores despedidos da ERT, os jornalistas e funcionários da estação pública entraram pela manhã no edifício entoando palavras de ordem como "A ERT está aberta, é a voz de todos os lutadores", e reuniram-se em plenário. 

A ERT encerrou as suas portas em 2013 na sequência de uma inesperada decisão do governo de coligação ND-PASOK liderado por Antonis Samaras, e que provocou uma enorme convulsão mediática e popular dentro e fora do país. Alguns trabalhadores despedidos anunciaram de seguida a plataforma "ERT Open", que continuou a emitir em autogestão. 

No entanto, o dia de hoje não significou a reabertura da estação, substituída pelo anterior governo pela NERIT, com muito menos recursos e que nunca garantiu as anteriores audiências mas que continuava hoje a emitir. 

Pelo facto de ainda estar teoricamente em funções a anterior administração, na origem dos despedimentos, diversos trabalhadores recusaram-se a entrar no edifício. "Houve trabalhadores que não participaram, o Governo está a tentar designar uma nova administração, foi um movimento simbólico", disse à Lusa por telefone um jornalista da ERT.

"O Governo designou para administrador da ERT Lambis Tagmatarhis, e para presidente Dionysis Tsaknis, de imediato alvo de forte criticismo por parte dos trabalhadores, de deputados do Syriza e mesmo no interior do Executio, devido às suas ligações com a anterior administração", prosseguiu. 

Estas reações, admitiu, podem implicar a designação para breve de outros responsáveis. "Na manhã de hoje, três deputados do Syriza emitiram um comunicado conjunto onde exprimem o seu desacordo com a designação de Tagmatarhis, sugerindo que o ministro de Estado Nikos Papas poderá reconsiderar as escolhas". 

"Assim, prevê-se que nos próximos dias seja designada uma nova administração, que então convocará todos os trabalhadores da ERT para o regresso ao trabalho. Pode mesmo suceder esta semana. Depois, a reabertura oficial da ERT será uma questão de dias", acrescentou o jornalista da ERT.

O Governo do partido da esquerda radical Syriza, que prometeu o reinício das emissões e o fim do período de "ecrã negro e cinzento" decidiu acelerar o processo de aplicação da lei adotada pelo parlamento na semana passada. 

O porta-voz do Governo, Gavriil Sakelaridis, considerou hoje que "é necessário tempo para que as coisas sejam feitas de forma correta e dar tempo para que a nova ERT seja uma televisão pública pluralista e em conformidade com os padrões europeus". 

Segundo a lei aprovada no parlamento, a ERT voltará a funcionar com os três canais de televisão (ERT1, ERT2, ERT3), na cadeia internacional por satélite, nas quatro rádios e nas dezenas de estações regionais (existiam 19 quando foram fechadas pelo anterior governo). 

Segundo o projeto, haverá ainda um setor de radiodifusão único para a "diáspora" grega com a televisão ERT World e as rádios Amizade e Voz da Grécia. 

Lusa
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