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ONU fala em situação "catastrófica" no Iémen

O perito em situações de emergência da ONU Dominique Burgeon advertiu que a situação no Iémen, onde uma trégua temporária permitiu esta quarta-feira às agências humanitárias começar a encaminhar ajuda, "é catastrófica", porque há "falta de tudo".

Com o cessar-fogo humanitário de cinco dias que hoje entrou em vigor, várias agências da ONU e outras organizações humanitárias iniciaram operações de emergência de auxílio às populações.

Com o cessar-fogo humanitário de cinco dias que hoje entrou em vigor, várias agências da ONU e outras organizações humanitárias iniciaram operações de emergência de auxílio às populações.

© Mohamed Al-Sayaghi / Reuters

Quase sete semanas de bombardeamentos aéreos da coligação árabe contra posições das milícias xiitas provocaram faltas graves de água potável e energia, combustível e material médico, além de fortes perturbações ao comércio, num país que é dependente da importação de alimentos, explicou à agência France Presse.

"A situação é muito grave e, neste momento, o país tem falta de tudo", disse Burgeon, diretor de situações de emergência na Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), sedeada em Roma. 

"O Iémen importa 90% dos alimentos que consome. Em determinados produtos, como o trigo, 95%" e, com o conflito armado em curso, "as importações estão praticamente paradas". 

A situação é agravada com a falta de combustível, que impede a distribuição dos poucos produtos disponíveis, e os graves danos infligidos ao setor agrícola, com sistemas de irrigação destruídos, escassez de sementes e propagação de doenças entre os animais.

Com o cessar-fogo humanitário de cinco dias que hoje entrou em vigor, várias agências da ONU e outras organizações humanitárias iniciaram operações de emergência de auxílio às populações, mas isso, segundo Burgeon, não vai ser suficiente.

Os alimentos encaminhados pela FAO, citou como exemplo, só vão chegar a cerca de 2,5 milhões de pessoas, de uma população total de 24 milhões.

"Há alguns meses, 12 milhões de iemenitas estavam em situação de insegurança alimentar severa. Atualmente esse número subiu para 14 a 15 milhões".

"Quando a fome se declara, já é demasiado tarde para muitas pessoas. É absolutamente importante agir agora, porque a situação é catastrófica", sublinhou, acrescentando que "é essencial que o comércio e as importações sejam retomados" através de "fundos da comunidade internacional".

A trégua, que entrou em vigor às 23:00 (21:00 em Lisboa) de terça-feira, é o primeiro cessar-fogo no conflito entre as milícias xiitas dos 'huthis', apoiadas pelo Irão, e as forças do presidente Abed Rabbo Mansur Hadi, apoiado por uma coligação militar árabe liderada pela Arábia Saudita desde 26 de março.

Segundo a ONU, mais de 1500 pessoas foram mortas desde o início da campanha aérea em consequência de bombardeamentos ou de confrontos entre as forças no terreno.
Lusa