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Presidente regressa ao Burundi após golpe de Estado falhado

De regresso à capital do Burundi, o Presidente do país fez uma declaração oficial na televisão e na rádio estatais.

© Stringer . / Reuters

O Chefe de Estado voltou depois de uma tentativa falhada de golpe de Estado.

Na comunicação ao país, o Presidente do Burundi garantiu que a paz e a normalidade regressaram às ruas da capital, onde se multiplicam protestos, há várias semanas.

Os manifestantes são contra a candidatura do presidente a um terceiro mandato, quando a lei permite apenas dois.

Ontem foram detidos 3 generais, mas a presidência confirma que continua em fuga o líder do golpe de estado.



Países dos Grandes Lagos  preocupados com crise humanitária no Burundi

O chefe da diplomacia angolana, país que lidera a Conferência Internacional da Região dos Grandes Lagos (CIRGL), disse hoje que a situação de "segurança e humanitária" no Burundi constitui a nova preocupação daquele organismo.

De acordo com o ministro Georges Chikoti, que falava em Luanda no arranque da reunião dos chefes da Diplomacia da CIRGL, as últimas informações sobre aquele país apontam que "os golpistas foram vencidos pelas forças do Presidente Nkurunziza", que também "já voltou para o Burundi".

Acrescentou que a situação no Burundi estará no topo da agenda da cimeira - que estes ministros estão a preparar - dos chefes de Estado e de Governo da CIRGL, agendada para segunda-feira, também em Luanda.

"Milhares de pessoas inocentes deixaram as suas zonas de origem, os seus haveres, e procuram refúgio em zonas mais seguras, em alguns dos nossos países, passando à condição de deslocados internos ou refugiados, passando por vicissitudes de toda a ordem, como a fome, doenças e traumas difíceis de serem superados", disse o ministro angolano, na abertura desta reunião.

Horas antes, Georges Chikoti reuniu-se com outros governantes africanos, manifestando agora a convicção, geral, de que o Burundi pode manter o calendário eleitoral, assunto que esteve na génese do golpe de Estado, falhado, de há dois dias.

"Então, espera-se que ele [Presidente Nkurunziza, que regressou ao Burundi] reponha a ordem e depois ver como é que o processo vai decorrer depois disto. Mas acha-se que ele poderá realizar as eleições dentro do período do seu mandato, que vai entre agora e agosto deste ano", disse aos jornalistas o ministro Georges Chikoti.

As tropas leais ao Presidente do Burundi detiveram hoje de manhã pelo menos três líderes do golpe de Estado falhado contra o chefe de Estado Pierre Nkurunziza.

Os chefes da diplomacia dos 12 países que integram a CIRGL estão hoje reunidos em Luanda para preparar a Cimeira de chefes de Estado e de Governo da mesma organização, ainda com os conflitos no Sudão do Sul e na República Centro-Africana.

O Burundi vive uma crise política iniciada pela designação do atual presidente como candidato a um terceiro mandato a 26 de abril.

Os opositores consideram um terceiro mandato anticonstitucional, mas o tribunal que fiscaliza a aplicação da lei fundamental deu razão ao campo governamental. O argumento é que o primeiro mandato do presidente, iniciado em 2005, não conta dado ele ter sido escolhido pelo parlamento e não por sufrágio direto como em 2010.

Mais de 25 pessoas foram mortas em confrontos devido à contestação e muitas mais ficaram feridas.

As eleições presidenciais no Burundi estão marcadas para 26 de junho, exatamente um mês depois de legislativas e municipais.

Também mais de 100.000 burundianos fugiram para os países vizinhos desde o início da violência pré-eleitoral em abril, anunciou hoje a ONU, dois dias depois de uma tentativa de golpe de Estado no país.

Angola preside há um ano à CIRGL, organização que integra, além do Burundi, a República do Congo, Quénia, República Centro Africana, República Democrática do Congo, Ruanda, Sudão, Sudão do Sul, Tanzânia, Uganda e Zâmbia.


Com Lusa


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