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Elevada taxa de indecisos baralha contas das eleições espanholas

A quatro dias das eleições municipais e autonómicas em Espanha, os principais partidos - PP, PSOE, Podemos e Ciudadanos - afinam as estratégicas para captar uma camada cada vez mais essencial do voto, o dos indecisos.

© Heino Kalis / Reuters

A entrada em cena de dois novos partidos -- e com números fortes nas sondagens, o Podemos e o Ciudadanos -- trouxe variações consideráveis nas intenções de voto dos espanhóis e percentagens de indecisos entre os 32% e os 44% nas várias regiões.

O Centro de Investigações Sociológicas de Espanha sobre as eleições, um organismo oficial que faz este tipo de análise desde 1979, lançou um trabalho sobre as intenções de voto para as eleições a 07 de abril, véspera do início da campanha. 

Nessa sondagem, 32,4% dos eleitores da região da Extremadura não sabiam ainda em quem votar (contra os 20,3% nas eleições de 2011)  e na região de Aragão essa percentagem chegava mesmo aos 44,4% (contra os 33,2% em 2011). A maior diferença, no entanto, registou-se em La Rioja, que passou de 19% de indecisos em 2011 para 41% este ano

Por outro lado, indicam também os dados do CIS, os eleitores variam a sua intenção de voto com relativa facilidade, ao que se junta um tipo de eleição (autonómicas e municipais) em que o número de partidos é maior relativamente às autárquicas (que apenas se realizam no final do ano).

Por outro lado, considerou à Lusa o analista político e professor na ESADE José Maria Areilza, "há muito voto oculto no PP", por parte de "pessoas a quem lhes dá vergonha assumir" que vão votar no partido do poder, responsável pelas políticas de austeridade desde 2011.

O PP também ficou associado à diminuição da massa salarial dos trabalhadores espanhóis e, por outro lado, à atual recuperação económica (ainda que sem efeitos visíveis nas economias familiares dos cidadãos).

Os especialistas das empresas de sondagens, como a Metroscopia (que faz as sondagens para o jornal El País, associado com a esquerda), indicam que as eleições europeias (2014) e as autonómicas na Andaluzia (março último) deram boas pistas para corrigir o tiro, mas que o cenário é de "grande incerteza". Ainda assim, afirmam que quem disse que ia votar nos emergentes Podemos e Ciudadanos votou mesmo nessas duas formações.

Com a incerteza quanto a um resultado final no próximo domingo, os principais partidos apostam tudo nos últimos dias -- dois grandes comícios diários, com a presença de "velhas glórias" como Felipe González (PSOE) e José Maria Aznar (PP) -- e uma mensagem reformulada para captar ou não afastar o "voto útil".

O PP e o PSOE deverão centrar a sua mensagem em conseguir maiorias que evitem pactos com os emergentes. O PP não quer depender do Ciudadanos (centro-direita) e o PSOE quer liderar qualquer tipo de bloco à esquerda, o que leva a um "todos contra todos" nos últimos dias de campanha.

Os "populares" de Mariano Rajoy insistem na ideia de que o Podemos é um partido radical e com uma ideologia de "extrema esquerda". Quanto ao Ciudadanos, o PP aponta-lhe por um lado "a falta de ideias e de candidatos de peso" e, por outro, o facto de ser um partido originário da Catalunha (um ataque que começou nas eleições da Andaluzia e tem vindo a ser repetido).

O Ciudadanos de Albert Rivera, por seu lado, quer captar o voto de protesto contra o bipartidarismo, mas também atacar o "radicalismo" do Podemos.

Já o partido de Pablo Iglesias deverá insistir na retórica do antagonismo entre o "povo trabalhador" e a "elite político-financeira" (que o Podemos apelida de "a casta"). A forma de captar os indecisos será falar "ao coração" de todos quantos se sentem defraudados pelos sucessivos governos.

Mas os ataques terão intensidades diferentes, desde a força máxima contra o alvo habitual, o PP, passando por uma mensagem assertiva contra o Ciudadanos e mais ligeireza para com o PSOE, de onde poderá vir o "seu" voto indeciso.



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