sicnot

Perfil

Mundo

Emergentes tiram maiorias absolutas ao PP nas autonómicas em Espanha

O Partido Popular (PP) espanhol, à frente de 11 das 13 regiões autonómicas que vão a votos no domingo em Espanha, é a formação que mais sofre com a entrada em força dos partidos emergentes Podemos e Ciudadanos

© Marcelo Del Pozo / Reuters

No próximo domingo, além das eleições municipais em todo o país, quase 20 milhões de espanhóis (incluindo no exterior) escolhem novos governos regionais em Aragão, Principado das Astúrias, Ilhas Baleares, Canárias, Cantábria, Castilla-La Mancha, Castilla e Leão, Comunidade Valenciana, Extremadura, Comunidade de Madrid, Região de Múrcia, Comunidade Foral de Navarra e La Rioja.

Destas regiões, apenas em duas - Navarra (UPN) e Principado das Astúrias (PSOE) - o PP não governa desde 2011. Um cenário de "hegemonia" que deverá sofrer uma grande alteração nestas eleições, sobretudo pela entrada dos novos partidos Podemos e Ciudadanos.

Na comunidade de Aragão, o PP foi eleito em 2011 com 39,7% dos votos, seguido dos socialistas do PSOE (29%) e do Partido Aragonês (9,2%). Nas últimas sondagens sobre aquela região, a intenção de voto nos dois principais partidos mostra o impacto da entrada em cena dos emergentes: o PP passa a 23,9% e o PSOE para 21,9%. Ou seja, os socialistas são ultrapassados pelo Podemos (22,5%), enquanto o Ciudadanos obtém 15,9%.

Por outro lado, em Castilla-La Mancha os analistas prevêm o fim do bipartidismo absoluto que dura há mais de 30 anos (entre o PP e o PSOE). Os "populares" deverão manter a comunidade, à frente do PSOE, mas com o Ciudadanos a obter 17,6% dos votos e o Podemos 12,6%. 

"Tanto o Podemos como o Ciudadanos chegaram para ficar, não são fenómenos conjunturais. Não creio que venham a ganhar agora ou em novembro, mas vão continuar a crescer. [Estou convencido de que] Espanha vai ter um sistema ou a quatro partidos ou, a mais longo prazo, de substituição dos existentes por dois novos", explicou à agência Lusa o professor da universidade ESADE José Maria Arielza.

O cenário de erosão do bipartidismo também se aplica à Extremadura. Se em 2011, os extremenhos dividiram o seu voto por três formações - dando a vitória ao PP, à frente do PSOE e, a larga distância, os comunistas da Izquierda Unida - agora deverão ser cinco (com o Podemos e o Ciudadanos) as formações com representação no governo regional. 

Caso se confirmem as sondagens, o Podemos "rouba" oito deputados regionais ao PSOE e o Ciudadanos (centro-direita) tira sete ao PP.

Das quatro regiões espanholas que fazem fronteira com Portugal, apenas a Extremadura e a comunidade de Castilla e Leão terão eleições autonómicas no domingo (a Andaluzia já as realizou em março e a Galiza apenas o fará em 2016). 

De acordo com as sondagens do Centro de Investigações Sociológicas, organismo público que faz estas análises, a comunidade de Castilla e Leão seria a única das maiorias absolutas conseguidas pelo PP em 2011 a manter-se este ano. Mas tanto os populares como o PSOE (o mais afetado nas sondagens) teriam de lidar com a entrada em força dos novos partidos nos governos regionais. 

A situação nas comunidades de Madrid e Valência (a Catalunha apenas tem eleições autonómicas em setembro) é ainda mais complicada para os partidos tradicionais. 

De acordo com uma sondagem da GAD3 para o jornal ABC, o PP perde a maioria absoluta na comunidade de Madrid e quase 20 pontos percentuais de voto face a 2011 (32% contra os 51,7 de há quatro anos). E quase todos esses votos vão para o Ciudadanos (que se estrearia com 24 a 26 deputados regionais) e para o Podemos (entre 23 e 24 deputados).

Na Comunidade Valenciana assiste-se à pulverização do voto, com o PP a perder quase 25 pontos percentuais, sobretudo para o Ciudadanos e o Podemos.

Nas comunidades os dois partidos tradicionais continuam a ganhar e, combinando os seus resultados, continuam a ter a maioria dos votos, mas agora forçados a acordos pós-eleitorais com os emergentes. 

  • Sporting de Braga eliminado da Liga Europa
    2:01
  • Dissolução da União Soviética aconteceu há 25 anos

    Mundo

    Assinalaram-se esta quinta-feira 25 anos desde o fim do acordo que sustentava a União Soviética. A crise começou em 80, mas aprofundou-se nos anos 90 com a ascensão de movimentos nacionalistas em praticamente todas as repúblicas soviéticas.